PT, PCdoB e PV apoiam a reeleição de Hugo Motta na Presidência da Câmara
Federação de esquerda entra no bloco do centro, que já tinha fechado com Motta; PL de 121 deputados avalia disputar a Mesa em fevereiro.

Resumo
- A federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados em 2027, apoia a reeleição de Hugo Motta na Câmara.
- Os três partidos vão integrar o bloco do centro, que terá 240 deputados e já apoiava Motta.
- A eleição das Mesas da Câmara e do Senado será em 1º de fevereiro de 2027.
PT, PCdoB e PV, reunidos na Federação Brasil da Esperança, declararam apoio, em coletiva na Câmara dos Deputados nesta terça (27), à recondução do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) à Presidência da Casa. O anúncio veio dois dias depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato na Presidência da República. A eleição da nova Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
Com a decisão, os três partidos passam a integrar o bloco parlamentar que reúne legendas de centro (União, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania e o Podemos). Esse grupo já havia decidido, em 14 de outubro, manter o bloco na próxima legislatura e apoiar a recondução de Motta.
Quem entra e quanto pesa
O bloco do centro tem hoje 271 integrantes e, segundo nota dos líderes divulgada em outubro, terá 240 deputados a partir de fevereiro. A federação PT-PCdoB-PV elegeu 88 deputados, e a Agência Câmara informa que o bloco ampliado pode chegar a 328 parlamentares.
A conta é simples: 240 deputados do centro mais 88 da federação somam 328. A Câmara tem 513 cadeiras, e a maioria absoluta é de 257 votos. O número de 328 fica 71 acima desse piso, mas é uma soma de bancadas, não de votos: o voto na eleição da Mesa é secreto, e cada deputado decide por conta própria.
Pelo Regimento Interno, o tamanho de cada bloco define a preferência na distribuição das comissões permanentes e dos cargos da Mesa. Por isso a adesão da federação vai além do voto em Motta: ela afeta quem preside comissões e quanto espaço cada partido ocupa.
O que disseram os líderes
O líder do PT, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que a decisão busca ampliar a governabilidade do novo governo Lula. “Estamos compondo com o bloco do centro, no espaço prático dentro da Casa, para permitir que a pauta avance. Essa composição estratégica para os próximos quatro anos é para dar governabilidade e avançar pautas das nossas três bancadas, como as das mulheres, da soberania e dos direitos culturais, sociais e históricos”, disse.
A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), disse que o objetivo é isolar a extrema-direita no Parlamento. “Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado”, afirmou.
O líder do PV, deputado Aliel Machado (PR), lembrou que, na gestão atual, Motta assumiu compromissos com o fim da escala 6x1 e com medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs). “O presidente Hugo colocou pautas extremamente importantes, como a escala 6x1 e os MEIs, mesmo em momentos difíceis, e isso foi uma sinalização importante”, declarou.
O cenário que o PL encontra
O PL foi o partido que mais cresceu na eleição de 2026: passou de 97 para 121 deputados eleitos, uma das maiores bancadas individuais desde a redemocratização, segundo a Agência Câmara. O PT elegeu 70 e, com PCdoB e PV, chegou a 88.
O PL já sinalizou que pretende disputar o comando da Casa. A tendência de uma maioria oposicionista no Congresso já havia sido apontada por analistas ouvidos pela Agência Câmara no dia seguinte à eleição: a cientista política Mariana Chaise, da Unicamp, afirmou que a oposição terá “o controle da pauta do Legislativo” e votos para derrubar vetos.
O que ainda falta saber
Os líderes não detalharam que cargos ou comissões a federação espera ocupar em troca do apoio. Também não disseram se a aliança vale para a disputa do Senado, que será decidida no mesmo dia, e questionados sobre ajuste fiscal afirmaram que o tema não está em discussão na bancada.
A eleição para a Presidência da Câmara é por voto secreto, em sessão do plenário. Até lá, o cálculo dos blocos pode mudar com a posse dos novos deputados e com eventuais candidaturas adicionais.
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