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PF pede ajuda da Argentina para saber se Flávio Bolsonaro saiu do Brasil

Governo Milei diz que o senador não entrou no país; aliados negam viagem e o prazo para entregar os passaportes venceu sem a entrega.

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Flávio Bolsonaro, de terno azul, fala diante de microfones de emissoras de TV no Senado
Foto de arquivo: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responde a perguntas de jornalistas no SenadoFoto: Ton Molina/Agência Senado

Resumo

  • A PF checa se Flávio Bolsonaro deixou o país e acionou as autoridades argentinas.
  • O Ministério da Segurança da Argentina afirma que ele não entrou nem pediu para entrar; aliados negam viagem.
  • O prazo de 24 horas para entregar os passaportes venceu sem a entrega, e a PF cancelou os documentos.

Atualização (13h30): o prazo para a entrega dos passaportes terminou sem que o senador cumprisse a ordem, e a PF cancelou os documentos e vai comunicar Moraes.

A Polícia Federal (PF) e o governo brasileiro procuram saber se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno de domingo (25), deixou o país. Autoridades argentinas foram acionadas nesta terça-feira (27), e o Ministério da Segurança da Argentina respondeu que o senador não entrou no território argentino nem pediu para entrar. Aliados de Flávio dizem que ele continua no Brasil. Até o início da tarde, porém, não havia informação pública sobre onde o senador está.

Como o caso começou

A dúvida surgiu na madrugada de hoje, quando o jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina em um voo privado, rumo aos Estados Unidos. A informação não foi confirmada por nenhuma autoridade. A PF passou a consultar os registros dos postos regulares de controle migratório e, segundo apurou a imprensa, não achou passagem do senador por nenhum deles.

Em paralelo, o governo brasileiro pediu ajuda às autoridades do país vizinho. Em resposta, a Casa Rosada, sede do governo de Javier Milei, negou a entrada, e a imprensa argentina relatou que o avião citado na reportagem foi inspecionado.

O que se sabe e o que falta saber

  • Sabe-se: não há registro de saída de Flávio por controle migratório brasileiro; o governo argentino nega a entrada; o entorno do senador afirma que ele não saiu do Brasil.
  • Falta saber: onde o senador está e se a PF confirma a versão do voo privado.

O prazo dos passaportes

A apuração ocorre um dia depois de Alexandre de Moraes, ministro do STF, proibir Flávio de sair do país e mandar cancelar o passaporte brasileiro dele, como o Fato em Dia mostrou. A decisão corre em sigilo e dá 24 horas para a entrega de documentos de viagem de outros países. Agentes da PF intimaram o senador na manhã de segunda-feira (26), e o prazo venceu no começo da tarde de hoje. Flávio disse na ocasião que entregaria os documentos e que nunca pensou em deixar o Brasil.

Pela lei processual, a proibição de ausentar-se do país é comunicada aos órgãos que controlam a saída do território nacional e o investigado deve entregar o passaporte em 24 horas (artigo 320 do Código de Processo Penal). Descumprir uma medida cautelar pode levar a outras restrições, como a prisão preventiva, decisão que cabe ao juiz do caso.

O contexto político

Flávio perdeu a eleição por 4,4 milhões de votos e, na noite do pleito, disse que não reconhecia o resultado. Hoje, o STF também mandou a PF investigar possível financiamento estrangeiro à campanha dele, segundo a decisão do ministro Flávio Dino.

O entorno do senador rejeita a hipótese de viagem. A matéria será atualizada se a PF ou o STF divulgarem informações novas.

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