Flávio Bolsonaro está a caminho dos EUA, diz fonte do governo americano
Informação foi passada à Reuters; senador não aparece desde segunda e PF não tem registro de saída pelos postos migratórios.

Resumo
- Autoridades americanas dizem que Flávio voa para a Flórida; não há anúncio oficial dos EUA.
- O senador não fala desde a noite de segunda (26) e perdeu o prazo de Moraes para entregar os passaportes.
- A PF cancelou os documentos e não tem registro de saída; aliados falam em asilo, sem confirmação.
Uma fonte do governo dos Estados Unidos disse à agência Reuters, nesta terça-feira (27), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está a caminho do país. A informação veio horas depois de aliados do parlamentar afirmarem que ele deixou o Brasil com a mulher e as duas filhas. No meio da tarde, uma autoridade americana disse à CNN que o senador estava num voo com destino à Flórida. Nem o senador nem os governos do Brasil e dos EUA fizeram anúncio oficial sobre a viagem.
Derrotado por Lula (PT) no segundo turno de domingo (25), Flávio perdeu às 11h de hoje o prazo dado pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) para entregar os passaportes. Ao meio-dia, a Polícia Federal (PF) cancelou o passaporte comum e o diplomático dele, como o Fato em Dia mostrou.
O que se sabe sobre a viagem
A agência não confirmou com quem o senador viaja. Apurou, porém, que as duas filhas dele não foram às escolas em que estudam, em Brasília, nesta terça. O principal motivo da saída, de acordo com a fonte, seria o temor de ser preso depois da ordem de Moraes que reteve os passaportes.
O governo brasileiro não tem informação de que Flávio esteja no país. A PF diz não ter registro de passagem do senador por postos regulares de controle migratório, e a PF já havia acionado as autoridades argentinas pela manhã.
A trilha argentina
A suspeita nasceu de uma reportagem do site argentino Infobae, publicada na madrugada de hoje. O texto dizia que Flávio atravessara a fronteira em direção a Puerto Iguazú e embarcaria num jato Gulfstream G400 rumo aos Estados Unidos. A imigração argentina e a Casa Rosada afirmaram que não há registro de entrada dele no país e que nenhum plano de voo incluía a família Bolsonaro. O voo para Miami acabou cancelado; a justificativa citada pelo jornal Clarín foi que “um dos passageiros teve um problema”.
Essas informações não se encaixam por completo: a fonte americana fala em viagem em andamento, enquanto o governo argentino diz que o jato não levou o senador. Qual foi o caminho, e se houve escala, é o que ainda não está esclarecido.
O que dizem aliados e a defesa
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Defesa: os advogados dizem que falaram com o senador pela última vez às 16h30 de segunda (26) e que pretendiam pegar os passaportes com ele nesta terça.
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Rogério Marinho: o coordenador da campanha, senador do PL-RN, diz ter falado com Flávio às 8h; ele respondeu que estava “esfriando a cabeça”, mas não disse onde estava.
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Aliados: reservadamente, integrantes do entorno do senador consideraram “inaceitável” uma eventual fuga. O temor, segundo eles, é que a ausência enfraqueça a oposição justamente quando o bolsonarismo tenta se reorganizar. Um deles resumiu: “A sensação é que, nesse momento, o barco fica sem capitão”.
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Eduardo Bolsonaro: em mensagem ao UOL, mais cedo, chamou a suspeita de fuga de “mentira”. Eduardo vive nos EUA e havia defendido, em entrevista na internet, que o irmão deixasse o país se perdesse a eleição.
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Simón Levy: o empresário e ex-secretário de Turismo do México, que se apresenta como aliado de Trump, escreveu numa rede social que Flávio “chegou em segurança aos Estados Unidos” numa operação que, segundo ele, foi conduzida pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Não houve confirmação do Departamento de Estado.
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PL: o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião de emergência da direção da sigla depois da saída do senador.
Aliados disseram à CNN que o governo Trump apoiou a decisão de Flávio e sinalizou que pode conceder asilo a ele, à mulher e às filhas. Washington não se manifestou oficialmente sobre o pedido até o fim da tarde. A assessoria do senador foi procurada pela Agência Brasil e não respondeu.
O que pode acontecer
A ordem de Moraes foi dada num inquérito que corre em sigilo no STF; Flávio também é alvo de outro inquérito, sobre o financiamento do filme Dark Horse. Ele nega irregularidades.
Pelo Código de Processo Penal, quem recebe a proibição de sair do país deve entregar o passaporte em 24 horas (artigo 320). Se uma medida cautelar é descumprida, o juiz pode substituí-la, somar outra mais severa ou decretar a prisão preventiva (artigo 282, parágrafo 4º). Deputados do PT já pediram a prisão do senador e a inclusão do nome dele na difusão vermelha da Interpol; a decisão cabe a Moraes. O mandato de Flávio no Senado termina em fevereiro de 2027.
O que se sabe e o que falta saber
- Sabe-se: o prazo para entregar os passaportes venceu; a PF os cancelou; autoridades americanas dizem à Reuters e à CNN que ele viaja para os EUA, com destino à Flórida.
- Falta saber: onde Flávio está de fato, com quem viajou, por onde saiu do Brasil e qual será a resposta de Moraes ao ofício da PF.
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