Lula recebe Motta e Alcolumbre no Alvorada no 1º dia após a reeleição
Presidentes da Câmara e do Senado dizem que vão manter o diálogo; disputa pelas Mesas das duas Casas, em 1º de fevereiro, é o próximo teste.

Resumo
- Motta e Alcolumbre foram ao Alvorada cumprimentar Lula, na 1ª visita dos chefes do Congresso.
- Os dois falaram em diálogo e harmonia entre os Poderes; Alcolumbre disse que "há muito trabalho pela frente".
- Em 1º de fevereiro, as Casas elegem novas Mesas; analistas veem maioria de oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada, no fim da tarde desta segunda-feira (26), os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta. Foi o primeiro encontro dos dois com o petista desde a reeleição, confirmada na noite de domingo (25), para o quarto mandato.
Segundo a Agência Senado, a conversa foi uma visita de cortesia. Alcolumbre, que preside também o Congresso Nacional, divulgou depois um comunicado em que reafirma “o compromisso com o diálogo institucional e a construção de entendimentos em favor do Brasil”.
O que disseram os dois
No texto, Alcolumbre afirma que Senado e Câmara vão continuar atuando “com independência, responsabilidade e disposição para somar esforços em nome de todos os brasileiros”. E resume: “Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente”.
Motta publicou uma mensagem nas redes sociais, reproduzida pela Agência Câmara: “Diálogo, respeito institucional e compromisso com o futuro. Estivemos com o presidente Lula para cumprimentá-lo e desejar êxito no novo mandato, reafirmar nosso compromisso de harmonia entre os Poderes e o trabalho conjunto do Congresso pelo avanço do Brasil”.
Nenhum dos dois detalhou, nas notas oficiais, quais projetos foram tratados na conversa. Também não houve divulgação de pauta combinada entre Planalto e Congresso.
Por que o encontro importa
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, mas vai governar com um Congresso em que a oposição tem peso grande. Em análise publicada pela Agência Câmara, a professora Mariana Chaise, da Unicamp, afirma que a oposição “vai ter o controle da pauta do Legislativo e tem voto suficiente para derrubar eventuais vetos” do presidente. Ela lembra ainda que as emendas parlamentares passaram a ser impositivas, o que reduz o poder de barganha do Planalto.
O cientista político Ismael Almeida aponta outro ponto: a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, que decidem quais projetos avançam e quais ficam parados. “Se a oposição conseguir uma maioria para eleger os dois presidentes, Lula poderá enfrentar dificuldades ainda maiores para aprovar a sua agenda”, disse.
Os dois visitantes desta segunda estão justamente nessa disputa. Como o Fato em Dia mostrou, Alcolumbre trabalha para continuar no comando do Senado em 2027, com apoio já anunciado das bancadas do MDB e do PSD, enquanto o PL, que terá 29 cadeiras na nova composição, lançou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato. Motta tenta se manter na presidência da Câmara.
O calendário que vem por aí
- 5 de janeiro de 2027: posse de Lula e do vice, Geraldo Alckmin, e não mais em 1º de janeiro, como prevê a Emenda Constitucional nº 111, de 2021. Os governadores tomam posse no dia seguinte.
- 1º de fevereiro de 2027: os eleitos assumem as cadeiras e cada Casa escolhe sua Mesa Diretora, com mandato de dois anos. É nessa data que Motta e Alcolumbre sabem se continuam nos cargos.
A ordem das datas importa: Lula toma posse quase um mês antes de o Congresso decidir quem comanda as duas Casas, o que deixa o período de transição aberto a negociações entre governo e partidos.
O que ainda falta saber
Não há, até agora, informação oficial sobre quais líderes partidários o presidente pretende receber nos próximos dias nem sobre a primeira pauta que o governo pretende enviar ao Congresso no novo mandato. Também não se sabe se o Planalto vai apoiar formalmente a recondução de Motta e de Alcolumbre.
Os resultados do segundo turno foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral e, no balanço da eleição, o presidente do tribunal disse que o pleito transcorreu com segurança. A reunião desta segunda ocorre em meio à tensão pós-eleitoral, com o senador Flávio Bolsonaro, derrotado, questionando o resultado das urnas.
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