Trump afirma que a eleição brasileira 'pareceu fraudada', mas diz gostar de Lula
Presidente dos EUA não apresentou provas; os números do TSE mostram Lula com 64,3 milhões de votos, 4,4 milhões à frente de Flávio.

Resumo
- Trump disse a jornalistas que a eleição brasileira 'pareceu mais uma eleição fraudada', sem apresentar provas.
- Disse que não tomou lados e que gosta de Lula; é a primeira reação pública dele ao resultado.
- Pelo TSE, com 100% das seções, Lula teve 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio, 59.826.041 (48,21%).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (26) que a eleição presidencial brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem apresentar provas. A declaração foi dada a jornalistas e divulgada pelo perfil oficial da Casa Branca no X, a primeira manifestação pública dele sobre a vitória de Lula (PT) no segundo turno, no domingo (25). No mesmo comentário, Trump afirmou que não tomou partido e que gosta de Lula.
O que Trump disse
No vídeo publicado pela Casa Branca, o presidente afirma, em inglês: “It looked like another rigged election, frankly. I didn’t take sides, but it was a terrible look for the world. Elections have to be indisputable — and it looked very bad to me.” Em tradução livre: “Pareceu mais uma eleição fraudada, para ser franco. Eu não tomei partido, mas foi uma péssima imagem para o mundo. Eleições têm de ser incontestáveis, e me pareceu muito ruim.”
Segundo os relatos publicados até o início da noite, Trump também disse que gosta de Lula e que se dá bem com ele. A fala não traz nenhum dado, documento ou episódio concreto que sustente a suspeita de fraude, e os relatos não registram qual foi a pergunta feita pelos repórteres.
O que dizem os números oficiais
Os arquivos de resultado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das seções apuradas, dão a Lula 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) e a Flávio Bolsonaro (PL), 59.826.041 (48,21%). A diferença é de 4.430.191 votos. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio estava 2.224.965 votos à frente.
A virada vem de três movimentos que o próprio TSE registra: o comparecimento subiu de 125.275.835 para 128.236.074 eleitores, a abstenção caiu de 21,08% para 19,22% e os votos em branco e nulos recuaram de 5,98 milhões para 4,15 milhões. A conta completa, com a origem regional dos votos, está na matéria sobre o salto de Lula entre os turnos e na que rebate o argumento de Elon Musk, que também questionou o resultado nesta segunda.
A prorrogação da votação
O ponto mais contestado do dia da eleição foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h o recebimento dos votos, a pedido da coligação de Lula, que apontou ônibus parados e transporte reduzido em cidades como Salvador e São Paulo. A campanha de Flávio também havia pedido mais tempo ao TSE, por causa das chuvas no Sul e no Sudeste. Depois de um esclarecimento do próprio Zanin, a ordem passou a valer só para as seções que ainda estavam abertas; as urnas já encerradas não puderam ser reabertas. Os detalhes estão na matéria sobre a decisão.
O artigo 144 do Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) fixa o fim da votação às 17h, e críticos da medida citam o artigo 220, que prevê nulidade de votação feita fora do horário. Flávio disse na noite de domingo que não reconhece o resultado e que o PL vai pedir a anulação da eleição, como mostra a matéria sobre o pronunciamento.
O contexto entre os dois governos
A fala vem depois de semanas de troca de cobranças. Em carta com data de 15 de outubro, o Departamento de Estado americano disse respeitar eleições “livres e justas” no Brasil e que continuaria dialogando com o governo eleito, como a nossa matéria sobre a carta detalha. Os EUA e a Argentina foram os países de destaque que ainda não haviam cumprimentado Lula pela reeleição, enquanto dezenas de governos já o tinham feito, segundo os relatos de imprensa do dia.
O que ainda falta saber
Até a publicação desta matéria, o Fato em Dia não localizou resposta do Palácio do Planalto, do Itamaraty ou do TSE à declaração de Trump. Também não está claro se a Casa Branca pretende tomar alguma medida em relação ao Brasil: os relatos do dia não registram nenhuma, e a fala se restringe à avaliação do presidente americano sobre o processo.
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