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Lula soma 10,4 milhões de votos do 1º para o 2º turno, quase metade no Sudeste

Flávio Bolsonaro cresceu 3,7 milhões; Minas foi o único estado que trocou de lado e o Nordeste deu quase 3 milhões a mais ao petista.

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Lula, de terno azul, sorri e fala diante de um púlpito de acrílico, com um emblema dourado na parede de madeira
Foto de arquivo: O presidente Lula durante entrevista à imprensa na IndonésiaFoto: Ricardo Stuckert/PR

Resumo

  • Lula foi de 53,9 para 64,3 milhões de votos do 1º ao 2º turno; Flávio foi de 56,1 para 59,8 milhões.
  • Minas foi o único estado que trocou de lado: Lula foi de 5,19 para 6,35 milhões de votos.
  • A parcela de Lula subiu nos 27 estados, mas Flávio venceu em 14, como São Paulo, Rio e Paraná.

Entre o primeiro turno, em 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro, o presidente Lula (PT) ganhou 10.376.694 votos, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 3.721.538. Com isso, o petista deixou de estar 2,2 milhões de votos atrás e terminou 4,4 milhões à frente. A conta sai dos arquivos de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das seções apuradas nos dois turnos, e mostra de onde veio cada voto a mais: quase metade do crescimento de Lula está no Sudeste, e Minas Gerais foi o único estado que passou de um lado para o outro.

Os números nacionais

No primeiro turno, Flávio teve 56.104.503 votos (47,03% dos válidos) e Lula, 53.879.538, uma diferença de 2.224.965 a favor do senador. No segundo, Lula chegou a 64.256.232 votos (51,79%) e Flávio, a 59.826.041 (48,21%). A virada é, portanto, de 6,66 milhões de votos entre os dois.

Os ganhos de Lula e de Flávio somam 14,1 milhões, bem mais do que o aumento de votos válidos, que foi de 4,78 milhões (de 119,3 milhões para 124,1 milhões). A diferença fecha com os 9,3 milhões de votos que outros candidatos tiveram no primeiro turno e que deixaram de existir no segundo. Outra parte vem da queda de votos em branco e nulos, de 5.975.047 para 4.153.801. O TSE não informa para onde foi cada eleitor, então esses números mostram o tamanho da mudança, não o motivo dela.

Onde Lula mais cresceu

Somando os estados de cada região e o exterior, o saldo de Lula e de Flávio entre os dois turnos foi este:

  • Sudeste: Lula ganhou 4.800.333 votos e Flávio, 1.944.892. A vantagem do senador na região caiu de 5,66 milhões para 2,81 milhões. O Sudeste responde por 46% do aumento total de Lula.
  • Nordeste: Lula ganhou 2.955.848 votos, e Flávio, 397.763. A vantagem do petista na região passou de 11,1 milhões para 13,7 milhões, o que corresponde a 28% de tudo o que ele ganhou.
  • Sul: Lula subiu 1.332.846 votos e Flávio, 866.745.
  • Centro-Oeste: Lula acrescentou 770.876 votos e Flávio, 470.431.
  • Norte: Lula ganhou 474.024 votos, e Flávio ficou praticamente parado, com 14.110 a mais.

No exterior, Lula somou 42.767 votos a mais e Flávio, 27.597.

Minas virou, São Paulo e Rio ficaram

Minas Gerais decidiu a disputa estadual de forma apertada. No primeiro turno, Flávio tinha 5.777.548 votos no estado e Lula, 5.188.936, uma vantagem de 588.612 para o senador. No segundo, Lula teve 6.351.099 e Flávio, 6.241.786: o petista passou à frente por 109.313 votos. Foi o único dos 27 estados em que o resultado do segundo turno foi contrário ao do primeiro.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, Lula ganhou 2.613.861 votos e Flávio, 1.217.155. Ainda assim, o senador venceu por 2.019.904 votos; no primeiro turno, a vantagem dele era de 3.416.610. No Rio de Janeiro, Flávio também ficou à frente, por 603.640 votos.

Dois estados terminaram com diferença menor do que a de Minas: o Amapá, onde Lula venceu por 24.294 votos, e o Tocantins, onde Flávio venceu por 24.954. No Amapá, o petista já liderava no primeiro turno, por apenas 225 votos.

A tabela por estado

A parcela de Lula nos votos válidos subiu nos 27 estados. O maior avanço em pontos percentuais foi em Goiás (+9,28), seguido de São Paulo (+7,95) e do Distrito Federal (+7,61). Lula venceu em 13 estados e Flávio, em 14, incluindo o Distrito Federal, que é contado como unidade da Federação.

EstadoLula no 1º turnoLula no 2º turnoVariaçãoVencedor no 2º turnoDiferença
Goiás31,06%40,34%+9,28 p.p.Flávio759.779 votos
São Paulo38,20%46,15%+7,95 p.p.Flávio2.019.904 votos
Distrito Federal38,11%45,72%+7,61 p.p.Flávio154.318 votos
Rio de Janeiro39,41%46,90%+7,48 p.p.Flávio603.640 votos
Amapá45,71%52,88%+7,17 p.p.Lula24.294 votos
Minas Gerais43,33%50,43%+7,11 p.p.Lula109.313 votos
Sergipe62,75%69,53%+6,78 p.p.Lula555.687 votos
Rio Grande do Sul35,73%42,16%+6,44 p.p.Flávio1.049.826 votos
Paraná31,20%37,42%+6,22 p.p.Flávio1.724.940 votos
Paraíba61,31%67,46%+6,16 p.p.Lula928.849 votos
Alagoas54,73%60,77%+6,04 p.p.Lula408.481 votos
Rio Grande do Norte59,75%65,72%+5,97 p.p.Lula676.187 votos
Espírito Santo37,76%43,63%+5,87 p.p.Flávio292.539 votos
Amazonas48,23%54,02%+5,79 p.p.Lula170.538 votos
Pernambuco63,45%69,20%+5,75 p.p.Lula2.284.959 votos
Mato Grosso do Sul34,68%40,40%+5,72 p.p.Flávio298.919 votos
Ceará63,29%68,93%+5,64 p.p.Lula2.216.646 votos
Maranhão63,99%69,54%+5,55 p.p.Lula1.578.260 votos
Santa Catarina25,04%30,58%+5,53 p.p.Flávio1.801.757 votos
Tocantins43,42%48,63%+5,21 p.p.Flávio24.954 votos
Bahia66,17%71,31%+5,14 p.p.Lula3.876.497 votos
Pará49,91%55,02%+5,10 p.p.Lula490.509 votos
Piauí70,99%75,88%+4,89 p.p.Lula1.128.130 votos
Mato Grosso29,18%33,94%+4,76 p.p.Flávio656.932 votos
Acre28,73%33,43%+4,70 p.p.Flávio143.202 votos
Roraima22,86%27,54%+4,68 p.p.Flávio136.170 votos
Rondônia25,89%30,39%+4,50 p.p.Flávio379.936 votos

Os percentuais são sobre os votos válidos de cada estado (votos de candidatos, sem brancos e nulos), calculados a partir dos arquivos do TSE gerados na noite de domingo (25), às 23h27.

O que isso significa agora

O mapa mostra um país dividido de forma desigual: o Nordeste e parte do Norte sustentam a vantagem de Lula, enquanto o Sul, o Centro-Oeste e os grandes estados do Sudeste, exceto Minas, seguem majoritariamente com Flávio. Em número de estados, a disputa foi próxima: 13 a 14.

Flávio Bolsonaro disse na noite de domingo que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição, mas no pronunciamento não apresentou provas de irregularidade. O resultado nacional e a posse, marcada para 5 de janeiro de 2027, estão na matéria sobre a reeleição. A apuração completa, estado por estado, também está na página de apuração do Fato em Dia.

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