Rússia e Ucrânia suspendem combates em Oleshky para ajuda humanitária
Cessar-fogo local, mediado pela primeira-dama dos EUA, quer levar comida e remédios e retirar moradores de cidade na linha de frente.

Resumo
- Rússia e Ucrânia pararam os combates em Oleshky, no sul ucraniano, para a entrada de ajuda humanitária.
- A Casa Branca diz que a mediação foi de Melania Trump; ficam na cidade de 1.700 a 2 mil moradores.
- O Kremlin afirma que a trégua vale para o setor de Kherson e que a paz depende dos interesses russos.
Rússia e Ucrânia pararam os combates na cidade de Oleshky, no sul da Ucrânia, para permitir a entrada de ajuda humanitária e preparar a retirada de moradores. O cessar-fogo é restrito ao setor de Kherson, na linha de frente, e não vale para o restante da guerra. A mediação, segundo a Casa Branca, foi da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
O que foi acordado
Em comunicado de 23 de outubro, a Casa Branca informou que os dois países concordaram em suspender temporariamente toda ação militar em Oleshky. O objetivo é deixar entrar comida, remédios e água e organizar a saída de civis por uma passagem segura, previamente definida. O texto previa o início da trégua em 29 de outubro, mas nesta terça-feira (27) o Kremlin disse que a operação humanitária já estava em andamento.
Pelo comunicado, equipes civis, e não militares, dos dois países visitarão os moradores em casa para avaliar de que ajuda cada um precisa. Quem quiser sair receberá transporte para o destino que escolher, na Rússia ou na Ucrânia. Uma organização de mídia americana “imparcial” acompanhará o trabalho no local para registrar a vontade de cada família. A Casa Branca afirma ainda que a limpeza de minas nas estradas faz parte da operação.
Melania Trump diz que usou o canal de comunicação aberto com Moscou e Kiev nas seis reuniões de crianças com familiares que já mediou, que somam 34 menores, e que o caso de Oleshky chegou a ela durante um evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A cidade
Oleshky fica na margem leste do Rio Dnipro, em frente a Kherson. Antes da guerra, tinha cerca de 24 mil habitantes. A Casa Branca estima que hoje vivam ali de 1.700 a 2 mil pessoas, a maioria idosos, além de cerca de 50 crianças. Segundo o comunicado, há pouca eletricidade, estradas minadas e ataques frequentes. Cerca de 90% do território da cidade foi alagado depois da destruição da barragem de Kakhovka. A cidade está sob controle russo desde 2022.
O que diz Moscou
A informação sobre a operação consta de nota do Kremlin sobre a conversa telefônica entre o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre. Segundo a nota, Putin contou aos dois que uma operação humanitária mediada pelos EUA estava em curso perto da localidade que a Rússia chama de Aliochki e que um cessar-fogo temporário foi introduzido no setor de Kherson para viabilizá-la.
Na mesma conversa, Putin voltou a dizer que uma paz justa e duradoura depende de que os interesses russos sejam levados em conta “por completo e sem condições”, e criticou a política da União Europeia e da Otan, que, na avaliação dele, prolonga as hostilidades. O Kremlin informa que os três concordaram em manter contato direto por telefone.
O que vem agora
A nota russa registra que as partes celebraram o acordo para retomar, no início ou no meio de novembro, as negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos em Abu Dhabi. A pauta inclui como garantir a segurança dos dois lados quando houver o fim completo das hostilidades. Putin recebeu o enviado especial do presidente americano, Steve Witkoff, em São Petersburgo, em 21 de outubro.
O que ainda falta saber
Os comunicados lidos não detalham quantas pessoas devem sair, por qual rota nem por quanto tempo o cessar-fogo se mantém. Também não trazem manifestação do governo ucraniano. Fora de Oleshky, os combates seguem: no mesmo dia, ataques russos danificaram uma ponte importante em Kiev, segundo o que foi divulgado até a noite desta terça.
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