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França tem quase mil detidos em novo sábado de protestos contra o custo de vida

Ministério do Interior contabiliza 410 mil manifestantes, 70 mil policiais nas ruas e violência menor que a do fim de semana anterior.

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Laurent Nuñez, de óculos de armação marrom, terno azul-marinho e gravata azul, olha para a esquerda ao ar livre
Foto de arquivo: O ministro do Interior da França, Laurent NuñezFoto: Arthur Empereur (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • Quase 1.000 pessoas foram detidas na França no sábado (24), durante a segunda grande rodada de protestos.
  • O Interior contou mais de 410 mil manifestantes, 110 mil deles em Paris, com 70 mil policiais mobilizados.
  • Líder da esquerda ameaça greve geral em 5 de novembro se Macron não atender às reivindicações.

A França teve neste sábado (24) a segunda grande jornada de protestos contra o aumento do custo de vida em duas semanas, e quase mil pessoas acabaram detidas em todo o território. O número foi dado pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, a jornalistas, depois de um dia de marchas que, segundo ele, foram pacíficas na maior parte do país, mas que terminaram com confrontos em Paris, Marselha e Bordeaux.

Segundo o balanço do ministério, mais de 410 mil pessoas saíram às ruas, e cerca de 110 mil delas estavam em Paris, número parecido com o da capital no sábado anterior. Para conter a mobilização, o governo escalou cerca de 70 mil policiais, com unidades táticas, helicópteros, veículos blindados, cães e canhões de água de prontidão.

O que aconteceu nas ruas

Em Paris, a marcha terminou na Porte de Vincennes, e ali uma multidão de vários milhares de pessoas enfrentou a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e canhão d’água para barrar o avanço. Em Marselha, segunda maior cidade do país, manifestantes lançaram fogos de artifício do tipo morteiro contra os agentes, e houve relatos de saques, entre eles o de uma joalheria e o de um supermercado. Em Bordeaux, imagens mostraram policiais usando gás lacrimogêneo na Place de la Bourse.

Em Nice, dezenas de militantes de extrema-direita agrediram manifestantes que protestavam sem violência.

Nuñez disse que as forças de segurança enfrentaram um “nível extremamente alto de violência” em alguns pontos, com projéteis lançados sem parar. Ele acrescentou que os manifestantes foram impedidos de fazer marchas itinerantes sem autorização e de chegar aos centros das cidades, e que os danos e saques a lojas ocorreram em “números muito limitados”.

Comparação com o sábado anterior

A leitura do governo é de que este sábado foi bem menos grave do que o anterior. No sábado anterior, mais de meio milhão de pessoas protestaram e houve ataques a prédios públicos, como prefeituras e delegacias; ao longo daquele fim de semana, o Interior chegou a somar mais de 2 mil detidos, e o governo decretou toques de recolher em trechos de Paris, Lille e Nice. Nesta rodada, segundo Nuñez, não houve “ataques direcionados” a esses prédios.

O número de manifestantes caiu de mais de 500 mil para 410 mil, mas as reivindicações seguem as mesmas: freio no custo de vida, mais investimento em educação e mais oportunidades para jovens trabalhadores.

O que se sabe e o que falta saber

O que se sabe: os números de detidos, de manifestantes e de policiais são do Ministério do Interior. Ainda não há balanço divulgado de feridos nem de quantos detidos continuam sob custódia.

O que falta saber: se o governo vai fazer novas concessões antes de 5 de novembro. O líder do partido de esquerda La France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon, disse à BFMTV, no meio da manifestação em Paris, que “uma greve geral” paira sobre o governo se o presidente Emmanuel Macron não responder às demandas.

Onda de protestos além da França

Houve atos antigoverno no sábado fora da França. Na Itália, em Nápoles, Roma e Milão, lojistas taparam vitrines com tábuas antes dos atos, por causa dos saques vistos em protestos anteriores. Na capital da Albânia, Tirana, manifestantes atearam fogo em contêineres de lixo e atiraram pedras contra a polícia. Em Bruxelas, estudantes ergueram barricadas nas ruas, e a polícia levou um canhão d’água para o local.

Na semana anterior, depois da primeira onda de violência, Nuñez chegou a oferecer o cargo, e Macron recusou a renúncia. A cobertura do sábado anterior e do toque de recolher está na matéria sobre as medidas do governo, e o fechamento do Louvre para este sábado, na matéria da véspera.

Esta matéria será atualizada se o Ministério do Interior divulgar novos números.

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