Trump diz que impasse tarifário com o Canadá será resolvido 'logo'
Em comício em Michigan, presidente afirma que canadenses 'darão tudo'; Hassett diz que as negociações 'ganham força'.

Resumo
- Trump disse em comício em Michigan que a disputa tarifária com o Canadá será resolvida 'logo'.
- O conselheiro Kevin Hassett afirmou que um acordo está 'muito perto'; fontes canadenses pedem cautela.
- As tarifas de 50% seguem valendo e a nova lista de produtos entra em vigor em 30 de outubro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a disputa comercial com o Canadá deve terminar em breve. A declaração foi dada no domingo (25), durante um comício em Port Huron, em Michigan, estado que faz fronteira com o território canadense. “Vamos resolver isso logo. Eles estão dispostos a nos dar qualquer coisa neste momento”, afirmou.
Trump também repetiu, sem apresentar provas, que o Canadá “se aproveita dos Estados Unidos há anos” e que ele “teve de” impor tarifas. A frase veio um dia depois de o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, dizer que os dois países estão “muito perto” de um acordo.
O que disse a Casa Branca
Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, deu a declaração na manhã de domingo, em entrevista à Fox News. Segundo ele, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, conversou com interlocutores canadenses ao longo da semana passada. As negociações, afirmou, “ganham força”.
Questionado sobre por que a política tarifária ainda não rendeu um acordo, o conselheiro apontou a eleição canadense e o movimento separatista de Alberta. Na avaliação dele, isso tornou “essencialmente impossível negociar com os canadenses”. Na semana passada, eleitores de Alberta rejeitaram a realização de um referendo vinculante sobre deixar o Canadá.
Na sexta-feira (23), o próprio Trump já havia dito a jornalistas que acreditava num acordo próximo e que sua equipe tem “todas as cartas na mão”.
A resposta de Ottawa
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou na sexta-feira, durante viagem à Turquia, que a decisão cabe aos americanos: “Eles são um pouco difíceis de prever. Estamos prontos para largar tudo, sentar e negociar hoje à tarde, se os americanos estiverem de boa-fé.”
O gabinete do ministro do Comércio Canadá–EUA, Dominic LeBlanc, informou que o país “segue em diálogo construtivo” com Washington. Fontes do governo e da indústria canadenses ouvidas pela rede CTV disseram que o interesse da Casa Branca em fechar um acordo é maior do que nas semanas anteriores e que há chance de avanço nas tarifas sobre automóveis. Ressalvaram, porém, que nada está garantido, dado o histórico de Trump e de Lutnick.
Por que a cautela
A expressão “muito perto” já foi usada antes. Em agosto, as duas equipes chegaram perto de um entendimento, mas a negociação ruiu nas últimas horas. Carney disse então que os americanos fizeram exigências de última hora sobre língua e cultura francesas, minerais críticos, automóveis e soberania, e resumiu: “Eles pediram demais e ofereceram de menos.”
Pelo texto da proclamação publicada no site da Casa Branca, Trump suspendeu por três dias, em 18 de agosto, a entrada em vigor das sobretaxas, mas as tarifas passaram a valer à 0h01 de 22 de agosto. O Canadá respondeu com tarifas sobre produtos americanos.
O que muda e o que continua
Na sexta-feira, a Casa Branca revisou a lista de produtos taxados em 50%. Saem itens como algas, caixas de embalagem e alguns tipos de compensado; entram cacau em pó, piso de vinil e xampus, entre outros. A nova lista começa a valer em 30 de outubro, e as tarifas sobre metais, madeira e automóveis seguem em vigor.
A senadora republicana Susan Collins, do Maine, que disputa a reeleição, atribuiu a si a retirada das tarifas sobre itens importantes para a agricultura do estado. O democrata Ron Wyden, o principal integrante do partido no comitê de Finanças do Senado, chamou a medida de tentativa de última hora de salvar a campanha dela.
O peso eleitoral
A menos de duas semanas das eleições legislativas americanas, a guerra comercial com o Canadá virou assunto central em disputas apertadas, como as de Michigan e Maine. O custo de vida também pesa na campanha, com os preços pressionados pela guerra com o Irã e pela política tarifária, segundo a apuração da rede CTV.
Até a publicação desta matéria, nenhum acordo havia sido anunciado nem pelo governo americano nem pelo canadense. O prazo mais próximo é 30 de outubro, quando a nova lista de produtos entra em vigor.
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