Israel desloca cerca de 2 mil palestinos em Hebron e diz que não poderão voltar
Ministro da Defesa diz que moradores só voltam após a ação contra o Hamas; prefeito fala em 2.200 e a ONU critica os cercos.

Resumo
- Cerca de 2 mil palestinos foram deslocados em Hebron, na Cisjordânia, depois do ataque que matou dois soldados israelenses.
- O ministro Israel Katz disse que os moradores não voltam até que o Exército termine de lidar com "as questões do Hamas" na cidade.
- A Autoridade Palestina fala em punição coletiva; o chefe da ONU se disse preocupado com os bloqueios e demolições.
O Exército de Israel deslocou cerca de 2 mil palestinos de seus bairros em Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada, em uma operação iniciada depois de um ataque a tiros contra um posto militar. O ministro da Defesa, Israel Katz, confirmou o número neste sábado (24) e afirmou que os moradores “não poderão voltar” até que as forças israelenses “terminem de lidar com todas as questões do Hamas em Hebron”, em entrevista à emissora pública Kan. O prefeito da cidade, Yousef al-Ja’bari, fala em 2.200 pessoas.
O que mudou desde o ataque
Na sexta-feira (23), dois atiradores palestinos atacaram uma base de reservistas do Exército israelense em Hebron e foram mortos. Na ocasião, o balanço era de cinco feridos. Neste sábado, as autoridades israelenses confirmaram a morte de dois soldados. O Exército disse ter encontrado no carro dos atiradores uma grande quantidade de munição e avalia que o plano era um ataque maior, na Rota 35.
Desde então, o Exército fez centenas de incursões na cidade e em outras áreas da Cisjordânia; só no sábado, cerca de 70 palestinos foram presos, segundo a Sociedade dos Prisioneiros Palestinos. Moradores contam que os soldados anunciaram ordens de evacuação por alto-falantes na madrugada, sem tempo para juntar pertences e com poucos lugares para onde ir. O prefeito disse que ninguém consegue entrar ou sair da cidade, onde vivem cerca de 200 mil pessoas; na província de Hebron, a mais populosa da Cisjordânia, são 800 mil.
Os números divergem
A contagem de deslocados muda conforme a fonte. Uma estimativa divulgada mais cedo falava em cerca de 1.200 pessoas; o prefeito fala em 2.200; Katz, em cerca de 2 mil. Não há ainda um balanço consolidado: o levantamento da ONU para a Palestina ocupada (OCHA) não havia sido atualizado até a publicação desta matéria.
As reações
A Autoridade Palestina classificou o conjunto de ações como “punição coletiva”, citando a demolição de casas, o deslocamento de bairros inteiros e o “fechamento e cerco” de cidades, e pediu pressão internacional. O Hamas disse que as ações israelenses “só vão alimentar mais indignação”. A organização israelense de direitos humanos B’Tselem afirmou que as medidas configuram punição coletiva e “podem constituir crimes de guerra”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar “profundamente preocupado” com os bloqueios e com os relatos de demolições em Hebron, que “restringem severamente a liberdade de movimento, o acesso a serviços básicos e os meios de subsistência”. Um porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU nos territórios palestinos chamou a operação de “mais um episódio” de medidas que tornam a vida dos palestinos “cada vez mais insuportável”.
O que vem pela frente
O Exército informou que vai barrar a entrada de trabalhadores palestinos na maior parte da Cisjordânia neste domingo (25) e na segunda (26), e que os cruzamentos serão totalmente fechados na terça (27), dia da eleição legislativa em Israel. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que uma “grande surpresa” aguarda a Autoridade Palestina, mas não respondeu se pretende desmontá-la.
Pelas contas da ONU, ao menos 96 palestinos foram mortos por forças israelenses ou colonos na Cisjordânia em 2026, e quatro israelenses foram mortos por palestinos no mesmo período.
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