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Guerra na Ucrânia

Rússia diz ter atingido siderúrgica em Kryvyi Rih; ataques deixam 2 mortos

Moscou fala em ataque de grande escala contra infraestrutura ucraniana; Kherson tem 19 feridos, e Belgorod, na Rússia, registra uma morte.

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Volodymyr Zelensky, de preto, fala ao microfone e gesticula com a mão direita diante de uma parede de madeira com prateleiras
O presidente da Ucrânia, Volodymyr ZelenskyFoto: Xuthoria (CC BY-SA 4.0)

Rússia e Ucrânia trocaram ataques na madrugada deste sábado (17), e ao menos duas pessoas morreram. Moscou afirma que sua ofensiva noturna mirou instalações estratégicas ucranianas, e o principal alvo citado é a maior usina de aço do país, em Kryvyi Rih. Do lado ucraniano, um ataque aéreo russo em Kherson, no sul, deixou um morto e 19 feridos.

O que diz Moscou

No comunicado do Ministério da Defesa, os russos justificam o ataque dizendo que o aço produzido em Kryvyi Rih abastecia a indústria de armas da Ucrânia. A usina é da ArcelorMittal, que já tinha parado a produção ali em setembro, após ser alvo repetido de mísseis balísticos.

A lista de alvos divulgada pelos russos inclui também uma subestação de energia em Zhytomyr, no noroeste, uma segunda siderúrgica em Zaporizhzhia, perto da frente de batalha, e um cargueiro no Mar Negro que, na versão de Moscou, seguia para Odessa com material militar. Nada disso foi confirmado por fontes independentes.

Mortes e feridos

Em Kherson, o governador Oleksandr Prokudin usou o Telegram para informar o balanço do bombardeio russo: um morto, que trabalhava como motorista de ambulância, e 19 feridos, entre eles uma criança.

Na região russa de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia, uma mulher morreu e um homem ficou ferido em ataques de drones ucranianos, segundo a agência estatal russa TASS. As informações dos dois lados vêm das autoridades de cada país e não puderam ser verificadas de forma independente.

Civis são os mais atingidos

Os ataques acontecem em um momento em que a ONU alerta para o peso da guerra sobre a população civil. Segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, pelo menos 328 civis morreram e 2.105 ficaram feridos em setembro, aumento de 85% sobre o mesmo mês do ano passado. A chefe da missão, Danielle Bell, disse que as duas primeiras semanas de outubro estiveram entre os períodos mais letais para civis dos últimos anos. Os detalhes estão na matéria sobre o relatório da ONU.

O relatório também aponta que os danos à infraestrutura de energia deixam as famílias ucranianas mais vulneráveis com a chegada do inverno, e que os dois lados atacam instalações do setor.

Contexto diplomático

O novo bombardeio ocorre um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender sanções e tarifas relacionadas à Rússia e a compradores de petróleo e gás russos antes de entrarem em vigor, como mostra a matéria sobre a ordem executiva. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou o acordo de Trump sobre o diesel russo e chamou de “paródia” a postura da Rússia (veja a matéria sobre a reação de Zelensky). Trump afirmou na sexta que mantém uma boa relação com Zelensky, mesmo depois dos atritos recentes, e o presidente francês, Emmanuel Macron, criticou o acordo do diesel ao dizer que ele “não é útil”.

O que observar

Nos próximos dias, a expectativa é de novas informações sobre os danos nos alvos citados por Moscou, sobretudo em Kryvyi Rih, onde a siderúrgica já estava parada, e sobre a resposta ucraniana. Os números de mortos e feridos podem mudar conforme as autoridades locais concluírem os levantamentos.

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