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Likud é o maior partido na boca de urna de Israel, mas Netanyahu fica sem maioria

Projeção do Canal 12 dá 24 cadeiras ao Likud e 22 ao Yashar, de Eisenkot; nenhum bloco chega às 61 do Knesset.

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Benjamin Netanyahu, de terno escuro e gravata azul, sentado à mesa diante da bandeira de IsraelGadi Eisenkot, de blazer escuro e camisa clara, em retrato de frente diante de fundo cinza
Foto de arquivo: O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, do LikudFotos: Avi Ohayon (CC BY-SA 3.0) (à esq.) e Ronen Horesh (CC BY-SA 4.0) (à dir.)

Resumo

  • A boca de urna do Canal 12 dá ao Likud 24 das 120 cadeiras do Knesset e ao Yashar, de Gadi Eisenkot, 22.
  • O bloco de Netanyahu soma 50 e os partidos judaicos de oposição, 52; a maioria exige 61.
  • Com 18 cadeiras projetadas para partidos árabes, o desempate pode depender deles; o resultado oficial vem nos próximos dias.

A primeira projeção de boca de urna da eleição em Israel indica um impasse. Divulgada pelo Canal 12 por volta das 22h desta terça-feira (27), no horário local (17h em Brasília), logo após o fechamento das urnas, ela coloca o Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, como o maior partido do Knesset, com 24 das 120 cadeiras. Logo atrás aparece o Yashar, do general da reserva Gadi Eisenkot, com 22. Nenhum dos dois blocos alcança as 61 cadeiras necessárias para governar.

O que a projeção mostra

Pela contagem do Canal 12, os partidos que apoiam Netanyahu somam 50 cadeiras. Os partidos de maioria judaica que se opõem a ele chegam a 52. Os partidos liderados por árabes aparecem com 18 cadeiras, o que a emissora descreve como um recorde para o setor. Entre as legendas individuais, o B’Yachad, do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, teria 12, e a Lista Conjunta, 11.

Duas legendas ficam abaixo da cláusula de barreira de 3,25% dos votos e, pela projeção, não elegem ninguém: a dos Reservistas e a Povo de Israel (Am Yisrael). Os votos delas, portanto, não entram na divisão das cadeiras.

Por que a boca de urna não é o resultado

Boca de urna é uma estimativa feita com entrevistas na saída das seções, e em Israel ela costuma ser revista ao longo da noite, à medida que as emissoras refazem as contas com a apuração real. No momento em que esta matéria foi publicada, só a projeção do Canal 12 estava divulgada; as demais emissoras ainda não haviam apresentado os números. Quem conta os votos e proclama o resultado oficial é o Comitê Central Eleitoral, que acaba de iniciar a apuração.

Nos dias seguintes à divulgação oficial, o presidente, Isaac Herzog, escolhe o deputado que terá a missão de montar uma coalizão. Não é obrigatório que seja o líder do maior partido: é quem reunir mais apoios entre os 120 parlamentares. Por isso, terminar em primeiro, como o Likud faz nesta projeção, não garante o cargo.

Comparação com 2022 e com as pesquisas

Na eleição anterior, em 2022, o bloco de Netanyahu elegeu 64 cadeiras e voltou ao poder. A projeção atual indica uma queda de 14 assentos para o mesmo campo, resultado em linha com as pesquisas divulgadas na última semana, que apontavam o bloco do premiê perto de 50. O ponto que mais chama atenção é a ordem entre os partidos: nas sondagens, o Yashar aparecia à frente do Likud, e a boca de urna inverte a posição, ainda que por apenas duas cadeiras.

O comparecimento ajuda a explicar o clima de expectativa. Segundo os números divulgados durante o dia, 55,7% dos eleitores já tinham votado às 16h locais e 74,3% às 20h, patamar acima do de 2022 e que ainda crescia a duas horas do fechamento. Em 2022, a participação final foi de cerca de 70,6%.

O que ainda falta saber

  • O resultado oficial. A divisão final das 120 cadeiras só sai com a apuração concluída, o que costuma levar alguns dias, e o resultado pode diferir da boca de urna em várias cadeiras.
  • O papel dos partidos árabes. Com 18 cadeiras projetadas, eles poderiam decidir o desempate. Quase todas as legendas de maioria judaica, inclusive a de Eisenkot, resistem a contar formalmente com esses partidos, e Eisenkot já disse que não participará de governo chefiado por Netanyahu.
  • A possibilidade de nova eleição. Se nenhum deputado conseguir reunir 61 apoios no prazo legal, o país pode ser levado a novas urnas, o que já aconteceu em sequência entre 2019 e 2021.
  • As reações. Durante o dia, Netanyahu disse que havia tentativa de “roubar a eleição”, e Eisenkot acusou o premiê de preparar terreno para contestar o resultado. Ainda não há manifestação dos dois sobre a projeção.

Esta matéria será atualizada com as demais boca de urna e com a apuração oficial.

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