ONU: mortes de civis na Ucrânia atingem nível recorde com ataques russos a Kiev
Missão da ONU contou 328 civis mortos e 2.105 feridos em setembro, alta de 85% sobre o mesmo mês de 2025.

A guerra na Ucrânia causou em setembro o maior número de civis mortos já registrado pela missão de direitos humanos das Nações Unidas no país. O balanço mensal, divulgado nesta sexta-feira (16), aponta pelo menos 328 civis mortos e 2.105 feridos, uma alta de 85% em relação a setembro do ano passado. A própria ONU diz que os números reais podem ser bem maiores.
Kiev, o alvo mais atingido
Segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, houve vítimas civis em 22 regiões do país. A capital concentrou uma parcela particularmente alta das mortes: em 22 dos 30 dias de setembro, alguém morreu em Kiev por causa de ataques, frequência maior que a de qualquer mês desde a invasão em larga escala, em fevereiro de 2022. Também foram duramente atingidas comunidades em Kherson, Kharkiv, Sumy e Zaporizhzhia.
Entre os números confirmados para o mês estão 18 civis mortos e 44 feridos em território ucraniano ocupado pela Rússia. Danielle Bell, chefe da missão, alertou que o total verdadeiro de vítimas tende a ser significativamente mais alto do que o que os investigadores conseguiram verificar.
Começo de outubro também foi mortal
A situação não deu trégua na virada do mês. Para Bell, as duas primeiras semanas de outubro estão entre os períodos mais letais para a população civil nos últimos anos. Ela citou ataques que deixaram muitas vítimas de uma só vez, de Kharkiv e Zaporizhzhia a Kramatorsk e à própria capital.
Energia e aquecimento sob ataque
Outro ponto do relatório é o ataque à infraestrutura de energia. Nos dias 13 e 14 de outubro, forças russas atingiram três usinas elétricas na região de Kiev e, segundo as autoridades ucranianas, cerca de 600 mil pessoas ficaram temporariamente sem eletricidade. A ONU registra que as Forças Armadas da Ucrânia também miraram instalações de energia e aquecimento em território ocupado e na Rússia, em uma ofensiva de cerca de 80 ataques com drones.
Com a chegada do inverno, Bell afirmou que a continuidade desses ataques sistemáticos tende a causar sofrimento significativo à população civil. As famílias já enfrentam serviços essenciais mais precários, perda de renda e casas danificadas ou destruídas, e muitas se abrigam em estações de metrô durante os alertas aéreos noturnos.
O drama do aquecimento
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que 3,6 milhões de pessoas continuam deslocadas dentro da Ucrânia, enquanto cerca de 3,8 milhões retornaram às suas regiões depois de terem saído desde fevereiro de 2022. Segundo a agência, muitas famílias não têm dinheiro para pagar o aquecimento: apenas 32% dizem conseguir aquecer a casa de maneira adequada, e nas áreas perto da linha de frente esse índice cai para 25%.
Arthur Erken, diretor regional da OIM, afirmou que a margem para agir está diminuindo e que é fundamental levar apoio adicional às famílias antes de o inverno aumentar as necessidades e empurrar mais gente para o deslocamento.
O que dizem os números
O balanço mensal da missão reúne apenas os casos que os investigadores conseguiram confirmar, e por isso a ONU reconhece que os totais ficam abaixo da realidade. Ainda assim, a comparação é forte: o número de feridos e mortos de setembro é 85% maior que o do mesmo mês de 2025, e a frequência de mortes diárias em Kiev não tem precedente desde o início da invasão.
Na mesma semana, a Ucrânia e a Rússia trocaram ataques contra instalações de energia. Com o inverno às portas, a ONU e a OIM alertam que a combinação de bombardeios, apagões e falta de recursos para o aquecimento coloca milhões de pessoas em risco nos próximos meses.
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