Israel vota na 1ª eleição geral desde o 7 de Outubro com Netanyahu em jogo
Pesquisas mostram o bloco do premiê longe dos 61 assentos; apuração pode levar semanas até a formação do governo.

Resumo
- Cerca de 7,3 milhões de israelenses votam para escolher os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento.
- Pesquisas dão ao bloco de Netanyahu perto de 50 cadeiras, abaixo das 61 necessárias para governar.
- O premiê só será conhecido depois da negociação de uma coalizão, que pode levar semanas ou meses.
Israel vai às urnas nesta terça-feira (27) na primeira eleição geral desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns e deu início à guerra em Gaza. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, busca mais um mandato; quem o desafia de frente é Gadi Eisenkot, general da reserva que comandou o Exército israelense e agora lidera o Yashar, partido criado há pouco. A última pesquisa divulgada indica que nenhum dos dois blocos alcança maioria.
Outra marca: este é o primeiro Knesset desde 1988 a cumprir os quatro anos inteiros, sem dissolução antecipada. Segundo o Comitê Central Eleitoral do país, 7,3 milhões de eleitores estão registrados para votar em cerca de 12 mil seções. O voto não é obrigatório e é dado em cédulas de papel.
Como funciona o voto
O eleitor israelense não escolhe diretamente o primeiro-ministro. Ele vota em um partido, e os eleitos ocupam as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento de câmara única. Só ocupa vagas o partido que atingir 3,25% dos votos, a chamada cláusula de barreira.
Como nenhum partido da história do país obteve sozinho os 61 assentos que garantem maioria, quem governa é sempre uma coalizão. Por isso, terminar em primeiro lugar não basta: o cargo fica com quem conseguir reunir apoio de mais da metade dos parlamentares. O presidente, Isaac Herzog, cujo papel é cerimonial, é quem encarrega um deputado de tentar montar o governo.
O que dizem as pesquisas
Levantamento do Channel 13 indica que o bloco de Netanyahu, hoje com 64 cadeiras, cairia para 50. Outras pesquisas, divulgadas na sexta-feira (23), colocam a oposição entre 52 e 56 assentos, também abaixo dos 61 necessários. Com isso, a oposição provavelmente dependeria dos partidos árabes para tirar o premiê do poder, e quase todas as legendas de maioria judaica, inclusive a de Eisenkot, resistem a contar com eles.
Eisenkot prometeu não entrar em um governo chefiado por Netanyahu. Entre os partidos árabes que disputam, a Lista Árabe Unida (Ra’am) integrou uma coalizão em 2021, a primeira vez que uma legenda árabe islâmica participou de um governo israelense.
O que está em disputa
- Responsabilidade pelo 7 de Outubro. Netanyahu resiste a criar uma comissão estatal de inquérito sobre as falhas que antecederam o ataque. Eisenkot e outros líderes da oposição dizem que a instalariam logo no início do governo.
- Serviço militar dos ultraortodoxos. Com tropas e reservistas sobrecarregados depois de quase três anos de combates em várias frentes, as Forças Armadas pedem mais efetivo. Netanyahu depende de partidos ultraortodoxos e tem evitado convocá-los; Eisenkot defende ampliar o alistamento.
- Justiça. Antes da guerra, o governo tentou uma reforma que reduziria os poderes da Suprema Corte, o que provocou alguns dos maiores protestos da história do país. Os parceiros de extrema direita do premiê querem retomá-la, e Eisenkot defende um Judiciário independente. Netanyahu é réu em processos por corrupção, que diz serem politicamente motivados.
- Política externa. Netanyahu se apresenta como o líder que fortaleceu a posição estratégica do país e destaca a relação com o presidente americano, Donald Trump, que declarou apoio à sua candidatura. Ele também coloca o confronto com o Irã no centro da campanha. Eisenkot afirma que o isolamento internacional ameaça a economia e a segurança.
Na campanha, nenhum dos dois principais candidatos defendeu a criação de um Estado palestino no futuro próximo, e a reconstrução de Gaza teve pouco espaço no debate.
Quem são os principais nomes
Netanyahu é o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel. Esteve no cargo entre 1996 e 1999, depois entre 2009 e 2021, e retornou em 2022. Seu governo reúne o Likud, o Sionismo Religioso, sigla do titular das Finanças, Bezalel Smotrich, e o Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir. O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá deixou a coalizão em meio à disputa sobre o recrutamento militar.
Eisenkot, que perdeu um filho soldado em Gaza, criou o Yashar em 2025 e se apresenta como alternativa institucional e pragmática. Na oposição também estão Naftali Bennett e Yair Lapid, ex-premiês que formaram o governo que tirou Netanyahu do poder em 2021 e durou 18 meses, e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman. Os Democratas, vistos como a esquerda israelense, têm à frente Yair Golan, que foi o número dois do comando militar.
O que acontece depois da votação
As urnas fecham às 22h no horário local, 17h em Brasília, quando as emissoras israelenses divulgam as pesquisas de boca de urna; a contagem oficial avança durante a madrugada. Com as pesquisas apontando impasse, a disputa real começa depois da contagem: os líderes partidários negociam para reunir 61 deputados, e o resultado final pode demorar semanas ou até meses. Mesmo sem maioria própria, uma maioria parlamentar contrária a Netanyahu poderia, por exemplo, eleger um novo presidente do Knesset, criar a comissão de inquérito sobre o 7 de Outubro e votar o alistamento de ultraortodoxos.
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