María Corina Machado volta à Venezuela após dez meses no exílio
Nobel da Paz anuncia a chegada no X e retoma a pressão por eleições num país conduzido por Delcy Rodríguez com apoio dos EUA.

Resumo
- A líder opositora e Nobel da Paz María Corina Machado anunciou no X que voltou à Venezuela.
- Ela deixou o país em dezembro e, segundo assessores, tentou voltar sete vezes sem sucesso.
- Os EUA conduzem a transição com Delcy Rodríguez e a oposição de Machado ficou fora da mesa de negociação.
María Corina Machado, principal nome da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, informou neste domingo (25) que voltou à Venezuela, dez meses depois de partir. “Estoy aquí. Con ustedes” (“Estou aqui. Com vocês”), escreveu ela em seu perfil no X, sem informar onde está nem o que fará a seguir. Pouco depois, outros nomes da oposição confirmaram a chegada, e a televisão pública espanhola RTVE informou que ela está em Caracas.
O ex-candidato presidencial Edmundo González, que também vive fora do país, foi um dos primeiros a confirmar a chegada. “Nossa voz soberana retorna com ela para liderar e encaminhar este processo”, escreveu, acrescentando que em breve estará ao lado dela.
De onde ela volta
Machado deixou a Venezuela no começo de dezembro de 2025, depois de mais de um ano e meio na clandestinidade, para receber o Nobel em Oslo, na Noruega. Um mês depois, em 3 de janeiro, uma operação militar americana capturou o então presidente Nicolás Maduro. Desde então, o país é chefiado de forma interina por Delcy Rodríguez, e Washington trabalha com o governo dela num plano de transição de três fases anunciado pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
Nesse arranjo, a oposição de Machado e o próprio Edmundo González ficaram de fora. O presidente americano, Donald Trump, chegou a dizer que ela é “uma mulher muito agradável”, mas que não tem “o apoio nem o respeito dentro do país” para liderá-lo. Já Rodríguez cedeu a quase tudo o que Washington cobrou: soltou centenas de presos políticos e facilitou a entrada de capital de empresas americanas.
As tentativas anteriores
Auxiliares de Machado contam que ela já havia fracassado em sete investidas para voltar. A primeira ocorreu no fim de junho, quando pretendia ajudar a reerguer o país após dois terremotos de grande intensidade; ela afirmou que o governo fechou o espaço aéreo para barrá-la. Outra, no fim de setembro, coincidiu com a ida de Delcy a Nova York para a Assembleia Geral da ONU: Machado foi impedida de entrar três vezes num só dia.
Um integrante próximo do círculo dela, Omar González, voltou ao país no fim de agosto, após quase três anos de exílio, e chamou a volta de “prelúdio” da chegada de Machado.
O que está em disputa
O ponto central é o calendário eleitoral. Machado propõe que a eleição presidencial seja em 24 de julho de 2027, data do nascimento de Simón Bolívar. O governo interino e os EUA dizem que haverá eleições e que o objetivo é uma “democracia plena”, mas nenhuma data foi anunciada. Na quinta-feira (22), milhares de venezuelanos foram às ruas para cobrar uma data, no maior protesto da oposição em quase dois anos.
Há ainda o petróleo. Em agosto, Trump anunciou um acordo que dá aos EUA o controle majoritário de reservas venezuelanas de mais de 65 bilhões de barris. Machado gravou um vídeo perguntando por que o documento é assinado pelo que ela chama de “regime ilegítimo”, o de Rodríguez.
Em 18 de outubro, a Plataforma Unitária da oposição reafirmou Machado como líder e lançou um documento com 14 propostas, entre elas um roteiro para eleições gerais e a libertação “total e incondicional” dos presos políticos. A volta dela acontece sem que a oposição tenha assento na mesa de negociação, em que o governo interino conversa com a Assembleia Nacional eleita em 2015.
Quem é Machado
Além do Nobel da Paz, ela recebeu o prêmio Václav Havel, do Conselho da Europa, e o Sakharov, do Parlamento Europeu. Ela é a líder do partido Vente Venezuela e há anos figura como o rosto da oposição ao chavismo.
O que se sabe e o que falta saber
Está confirmado por ela, por Edmundo González e pela RTVE, que a localizou em Caracas, que Machado está de volta. Questionado pela imprensa, Trump disse que não sabia da volta dela: “Não sabia de nada. Espero que ela esteja em segurança”, afirmou, segundo a RTVE. Ainda não se sabe se haverá ato público nem como o governo interino de Delcy Rodríguez vai reagir. O texto será atualizado.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.






