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Guerra na Ucrânia

Papa Leão XIV liga para Putin do hospital e pede trégua humanitária em Oleshky

Pontífice, internado em Roma após cirurgia no pulmão, cobrou passagem de comida, remédios e saída voluntária de civis; Kremlin diz que zona de segurança em território ucraniano não entra em negociação

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O papa Leão XIV, de branco, acena de um carrinho elétrico cercado por seguranças e fiéis em uma rua da abadia de MontserratVladimir Putin, de terno escuro, atravessa a pé um salão do Kremlin de piso de madeira, com uma mesa branca e a bandeira russa ao fundo
Foto de arquivo: o papa Leão XIV (à esquerda) em Montserrat, na Espanha, em junho de 2026, e Vladimir Putin no Kremlin, em janeiro de 2026Fotos: Sergio López Prieto (CC BY-SA 4.0) (à esq.) e Kremlin.ru (CC BY 4.0) (à dir.)

O papa Leão XIV conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira (16), e pediu uma trégua humanitária em Oleshky, cidade da região de Kherson, no sul da Ucrânia, ocupada por forças russas. A ligação foi feita do Hospital Gemelli, em Roma, onde o pontífice está internado desde a terça-feira (13), depois de uma cirurgia para retirar um adenocarcinoma do pulmão.

De acordo com a Sala de Imprensa da Santa Sé, o papa manifestou “profunda preocupação” com a situação humanitária em Oleshky, que fica na margem do rio Dnipro, na linha de combate. Os moradores, segundo o relato do Vaticano, estão à beira do colapso. Leão XIV pediu que os ataques sejam interrompidos para que alimentos e ajuda médica cheguem à população e para que os civis possam sair da cidade de forma voluntária e segura. Ele também reafirmou o compromisso da Santa Sé com o diálogo e com a paz.

A resposta de Moscou

O Kremlin confirmou a conversa, mas não informou como Putin reagiu ao pedido de trégua. Logo depois da ligação, o governo russo disse que está “construindo uma zona de segurança” dentro do território ucraniano e que esse cinturão não fará parte de nenhuma negociação com Kiev. Oleshky estaria dentro dessa faixa, segundo o relato do g1 sobre a declaração russa.

Segunda ligação entre os dois

Não foi o primeiro contato direto entre o líder da Igreja Católica e o presidente russo. A ligação anterior havia ocorrido em 4 de junho de 2025, menos de um mês depois da eleição de Robert Francis Prevost como papa. Naquela conversa, Leão XIV falou da importância do diálogo, da situação humanitária e dos esforços para a troca de prisioneiros, tema que está no centro da ação humanitária do Vaticano no conflito.

Nos últimos meses, a diplomacia da Santa Sé manteve a presença em Moscou. O cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana, esteve duas vezes na capital russa, a mais recente no fim de setembro. O arcebispo Paul Richard Gallagher, responsável pelas relações do Vaticano com os Estados, passou três dias em Moscou em agosto.

Desde o início do pontificado, Leão XIV convidou Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a conversar e ofereceu o próprio Vaticano como espaço de negociação. No último Angelus, antes de anunciar a cirurgia, ele chamou atenção para as vítimas e a destruição de infraestrutura nos dois países e para o efeito da guerra sobre os mais pobres, com o transporte de cereais pelo Mar Negro comprometido. “O pão de cada dia de milhões de pessoas não pode ser refém da guerra”, afirmou na ocasião.

Como está a saúde do papa

Na manhã desta sexta, Leão XIV, de 71 anos, fez exames de sangue e uma radiografia de tórax, que, segundo o Vaticano, confirmaram a melhora constante do estado geral. Ele continua com sessões de fisioterapia respiratória, e a recuperação pós-operatória permite que cumpra as atividades do dia a dia com total autonomia. Às 12h (horário de Roma), ele celebrou missa em uma sala preparada no 10º andar do hospital, com médicos, enfermeiros e gendarmes do Vaticano que estavam de folga, e agradeceu à equipe pelo cuidado.

O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, disse que a recuperação “vai bem”, mas que o papa talvez precise ajustar o ritmo no futuro, de acordo com a saúde. O pontífice deve aparecer em público no domingo (18), quando conduz a oração do Angelus, a primeira aparição desde a internação. A viagem à América do Sul, com passagens previstas por Peru, Argentina e Uruguai no início de novembro, está mantida por enquanto.

O que vem a seguir

Não há, até agora, anúncio de trégua em Oleshky nem de nova rodada de conversas. O Vaticano afirma que continuará trabalhando para facilitar a ajuda humanitária e a troca de prisioneiros, enquanto a Rússia insiste que a faixa de segurança que quer criar em território ucraniano está fora de qualquer negociação.

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