Trump admite ter mandado processar para barrar certificação da eleição no Alasca
Ação do Departamento de Justiça mira um candidato homônimo do senador republicano Dan Sullivan; votação é em 3 de novembro.

Resumo
- Trump disse ter mandado o Departamento de Justiça pedir a suspensão da certificação da eleição no Alasca.
- A ação cita um candidato com o mesmo nome do senador Dan Sullivan e vale só se o republicano perder para Mary Peltola.
- O pedido foi apresentado na quinta (22); a eleição é em 3 de novembro, e o protocolo não exclui candidatos.
O presidente Donald Trump admitiu na sexta-feira (23) que foi dele a ordem para o Departamento de Justiça tentar barrar a oficialização do resultado da disputa pelo Senado no Alasca, caso o senador republicano Dan Sullivan perca. “Fui eu quem mandou fazer isso”, afirmou a jornalistas.
O que pede a ação
O Departamento de Justiça protocolou o pedido na quinta-feira (22). A tese é que o nome de outro candidato, Daniel J. Sullivan, pode atrair eleitores que queriam votar no senador. Dan Sullivan enfrenta a democrata Mary Peltola nas eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, que vão definir quem controlará o Congresso.
O pedido trabalha com um cenário específico: o senador seria derrotado, mas passaria à frente se todos os votos do xará fossem transferidos a ele e a apuração por preferência fosse repetida. Só nessa situação o governo pede à Justiça que congele a certificação até apurar o que os eleitores realmente queriam. O simples protocolo da ação não afasta ninguém da disputa nem interrompe a votação.
Como funciona a votação no Alasca
O estado adota o voto por ordem de preferência. O eleitor numera os candidatos e, se ninguém tem maioria na primeira contagem, sai o menos votado e suas cédulas passam à segunda opção que ainda esteja na corrida. Assim, é possível marcar os dois Sullivans em posições diferentes na mesma cédula, e é essa brecha que o governo invoca.
Quem é o homônimo
Daniel J. Sullivan, professor aposentado de Petersburg, atuou por uma década e meia no Serviço Florestal americano. É registrado como republicano, mas na cédula não tem partido ao lado do nome, ao contrário do senador, que aparece como republicano e atual ocupante da vaga.
Sua presença na eleição já foi parar na Justiça estadual. Em junho, a autoridade eleitoral tentou tirá-lo da disputa; um tribunal derrubou a medida e, no dia 29, a Suprema Corte do estado confirmou que ele continua na eleição, fato que a própria petição do governo reconhece. Ele nega pretender confundir eleitores ou agir em aliança com Peltola. Ao jornal local Petersburg Pilot, no mesmo mês, disse que não tem contato com a campanha democrata e recomendou que os eleitores se informem para distinguir os candidatos.
As reações
Peltola disse que o rival recorre a contatos em Washington para manipular a eleição. A senadora republicana Lisa Murkowski também foi crítica: para ela, a própria cédula já deixa clara a diferença entre os dois.
O contexto
A iniciativa surge em plena campanha das eleições de meio de mandato. Em julho, Trump demitiu os dois integrantes democratas da Comissão de Assistência Eleitoral, órgão que dá apoio técnico às autoridades eleitorais. A comissão não controla as cédulas nem a administração das eleições, tarefa que fica com os governos estaduais.
A petição ainda precisa ser analisada pela Justiça, a quem cabe dizer se há base para suspender uma eventual certificação do resultado.
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