Zelensky vai a Oslo encontrar enviados de Trump enquanto ataque russo mata sete
Mísseis e drones causaram apagões em 12 regiões da Ucrânia; o Kremlin diz esperar Witkoff e Kushner na Rússia em breve.

A Rússia voltou a atacar cidades ucranianas com mísseis e drones nesta terça-feira (20) e matou pelo menos sete pessoas, segundo autoridades locais. Os bombardeios provocaram falta de energia em 12 regiões do país no mesmo dia em que o presidente Volodymyr Zelensky desembarcou em Oslo, na Noruega, para tentar reforçar o apoio dos Estados Unidos e da Europa.
Também em Oslo estava Steve Witkoff, enviado da Casa Branca que, junto com Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, já tentou sem sucesso costurar um acordo de paz entre Moscou e Kiev. Kushner deveria participar do encontro com Zelensky por videoconferência. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, também tinham reunião marcada com o líder ucraniano.
“Estamos mantendo todos os contatos que podem ajudar a trazer a paz”, escreveu Zelensky no X depois de chegar a Oslo. Segundo ele, a pauta inclui o reforço da defesa aérea ucraniana e a produção conjunta de armamentos.
Kremlin quer receber os americanos
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin disse a jornalistas que espera organizar em breve, na Rússia, uma reunião com os enviados americanos, sem informar data nem local. Ele afirmou que encontros do presidente Vladimir Putin com os representantes de Trump, possivelmente já na quarta-feira (21), seriam “muito importantes”. “Agradecemos muito os esforços de mediação dos negociadores americanos”, acrescentou.
Relação com Washington em baixa
A viagem acontece num momento de desgaste entre Zelensky e a Casa Branca. Na segunda-feira (19), o presidente ucraniano disse a um grupo de parlamentares americanos dos dois partidos que, na avaliação dele, “alguma decisão política foi tomada para desacelerar” a ajuda à Ucrânia.
Zelensky contou que depois conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que cumpre agenda na Ásia, e classificou o diálogo como “substantivo”. “Sou grato pela disposição dele em ajudar e por sua posição clara”, escreveu.
Na conversa, de acordo com Zelensky, ele pediu que os americanos continuem repassando informações de inteligência a Kiev, já que alertas sobre lançamentos de mísseis russos deixaram de chegar ou chegaram com atraso nos últimos dias. O presidente também reclamou que seguem em vigor limites de velocidade na versão militar da internet via satélite da SpaceX usada pelas tropas, o que, segundo ele, atrapalha as operações na frente de batalha.
Falta de mísseis Patriot
Zelensky afirma que a Ucrânia está quase sem interceptadores do sistema Patriot, de fabricação americana, os únicos capazes de derrubar mísseis balísticos russos, e acusa o Pentágono de atrasar a entrega de unidades que outros países já compraram para Kiev. Ele também criticou a decisão de Trump de suspender sanções contra a Rússia, que, na visão dele, ajuda Putin a manter a invasão em larga escala, que completa cinco anos em fevereiro.
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