Kamala Harris volta à campanha nas Midterms e reacende dúvida sobre 2028
Ex-vice-presidente faz atos em cinco estados para os democratas antes de 3 de novembro; sobre nova candidatura, diz: 'Ainda não decidi'.

Resumo
- Kamala Harris participa de atos na Geórgia, Mississippi, Nevada, New Hampshire e Wisconsin pelos democratas.
- As eleições de meio de mandato nos EUA são em 3 de novembro, e o partido tenta quebrar o domínio republicano no Congresso.
- Sobre disputar a Presidência em 2028, ela afirmou que ainda não decidiu.
A ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, voltou à estrada para ajudar o Partido Democrata nas disputas mais apertadas das eleições de meio de mandato, as Midterms, marcadas para 3 de novembro. O retorno ao palanque ocorre num momento em que ela pesa se tentará de novo a Presidência, em 2028, o que seria sua terceira corrida pela Casa Branca.
Candidata democrata derrotada em 2024, Harris fez poucas aparições públicas ao longo do ano. Agora, com o partido empenhado em tirar dos republicanos o controle do Congresso, a agenda dela inclui comícios em cinco estados: Geórgia, Mississippi, Nevada, New Hampshire e Wisconsin.
Discurso contra o governo Trump
O giro foi aberto há uma semana, em Las Vegas, com um discurso inédito no qual ela atacou o que chamou de crueldade do presidente Donald Trump. Diante de dezenas de sindicalistas da Culinary Workers Union, dividiu o palco com Aaron Ford, postulante democrata ao governo de Nevada, a quem apresentou como alguém capaz de ser o “primeiro governador negro a oeste do Mississippi”.
“Temos uma batalha séria pela frente”, disse Harris. Ela afirmou que o país vive “uma brutalidade absoluta” vinda da que considera “a administração presidencial mais corrupta, insensível e incompetente”.
Mississippi no radar
No dia seguinte, em Columbus, Harris puxou o coro de “O Mississippi importa!” diante de apoiadores de Scott Colom. O democrata tenta ser o primeiro senador do partido eleito pelo estado desde 1982 e enfrenta a republicana Cindy Hyde-Smith, numa disputa que as pesquisas indicam ser excepcionalmente apertada.
Popularidade dividida
Harris não é uma figura de grande popularidade, assim como Trump, que também percorre o país para apoiar candidatos republicanos. Pesquisa Reuters/Ipsos de junho mostrou que 39% dos americanos a veem de forma favorável. O número esconde uma divisão partidária: 82% dos democratas têm opinião positiva, contra 7% dos republicanos e 33% dos independentes.
Para Elaine Kamarck, pesquisadora da Brookings Institution e integrante do Comitê Nacional Democrata, o movimento é natural: “Na reta final de uma campanha, você traz a campo seus nomes de maior peso”. Segundo ela, isso vale tanto para Harris quanto para Trump.
O peso de 2024 e a dúvida sobre 2028
Uma nova candidatura obrigaria Harris a voltar à confusão democrata de 2024: o presidente Joe Biden abandonou a candidatura à reeleição, sob dúvidas sobre sua saúde, e ela herdou a vaga. Em seu livro de memórias, “107 Days”, ela considerou “imprudente” a decisão de Biden de buscar um novo mandato. Neste mês, fez a crítica mais dura até agora ao respaldo dado por Biden a Israel na guerra em Gaza, falando em “conduta horrível” do governo israelense e dizendo que os EUA deveriam ter “agido mais cedo e com mais firmeza”.
“Tudo isso voltará a ser discutido”, observou Kamarck. Já o estrategista democrata Scott Ferson avalia que eleitores desiludidos com Trump podem enxergá-la de outra forma, sobretudo quem se afastou do voto em 2024.
Perguntada pela apresentadora Keke Palmer, no videocast “Baby, This Is Keke Palmer”, se voltaria a concorrer, Harris riu e respondeu: “Ainda não decidi”. Em seguida, voltou o foco para novembro: “2028 não importa se não fizermos a coisa certa em 2026”.
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