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Tomate sobe 37,76% em setembro, alta recorde para o mês, e preço deve seguir alto

Chuva e dias nublados reduziram a oferta; pesquisador do Cepea vê área plantada menor e volatilidade ainda por vários meses.

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Tomates vermelhos ainda presos ao cacho verde, sobre fundo claro
Tomates ainda no cacho — Imagem ilustrativaFoto: Ralphs_Fotos/Pixabay

Resumo

  • O preço do tomate subiu 37,76% no IPCA de setembro, a maior alta já registrada para o mês.
  • Chuva, dias nublados e área plantada menor reduziram a oferta no Sudeste e no Centro-Oeste.
  • A previsão é de preços em patamar mais alto e de volatilidade ao longo dos próximos meses.

O tomate virou um dos itens mais imprevisíveis da inflação de 2026. Em setembro, o preço do fruto subiu 37,76% no IPCA, o índice oficial de inflação do IBGE, a maior alta já registrada para esse mês do ano, num período em que a tendência histórica é de queda. O comportamento fugiu do padrão e, segundo especialistas, não deve se acalmar tão cedo.

Embora pese pouco no índice geral de preços, entre 0,2% e 0,35%, o tomate esteve presente, nos últimos 12 meses, quase todo mês entre os destaques do IPCA. Faz parte da cesta básica e é um dos itens mais sujeitos a variações bruscas.

Do tombo de 2025 à disparada de 2026

O pesquisador do Cepea João Paulo Deleo, especialista no mercado de hortifrútis, explica que a volatilidade faz parte da cultura. O que mudou neste ano foi a intensidade. Os dados do IPCA mostram o vaivém. No fim de 2025, o preço recuou de forma sucessiva: 11,52% em setembro, 10,38% em novembro e 3,95% em dezembro.

Em 2026, a história virou: nos primeiros seis meses, os preços dispararam. Houve alta de 20,52% em janeiro, de 20,31% em março, de 6,13% em abril e de 20,62% em maio. No acumulado do primeiro semestre, a alta passou de 65%. A entrada da safra de inverno trouxe alívio no meio do ano: em julho o preço caiu 29,09%, e em agosto, mais 10,94%. Mas os valores não voltaram ao nível anterior na mesma proporção, e setembro trouxe a surpresa.

Por que o preço subiu fora de época

Pelo padrão histórico, os picos de preço ocorrem de janeiro a junho, quando a entressafra e o excesso de chuva derrubam a colheita. No segundo semestre, o tempo mais seco e os dias de sol aceleram a maturação e aumentam a oferta. Neste ano, aconteceu o oposto. Segundo Deleo, os dias chuvosos e nublados atrapalharam a fotossíntese das plantas, e os frutos saíram menores e menos produtivos nas principais regiões produtoras do Sudeste e do Centro-Oeste.

“Tradicionalmente temos preços mais baixos para o tomate no segundo semestre, principalmente em agosto e setembro. O tempo seco e dias ensolarados aceleram a maturação. Este ano a gente viu um cenário diferente. Os valores entre setembro e outubro atingiram os picos, mais altos inclusive do que registrado em maio”, afirmou o pesquisador.

Menos área plantada

Há também um fator de oferta de longo prazo. Nas regiões que o Cepea monitora, a área dedicada ao tomate encolhe pelo segundo ano seguido. A estimativa é de recuo de 5,4% neste ano, o que leva a perda acumulada a 16,3% em dois anos. Segundo os pesquisadores, os produtores vêm reduzindo o plantio por causa dos prejuízos de safras anteriores. Com menos área, produtividade em baixa e atraso na maturação, a conta fecha em preços mais altos.

O que esperar

O pesquisador não vê trégua no curto prazo. Para o Sul e o Sudeste, a expectativa é de excesso de chuva e, em alguns momentos, de temperaturas elevadas, o que pode reduzir de novo a produtividade. No Nordeste e, em certos períodos, no Centro-Oeste, o clima mais seco pode aumentar a presença de pragas, e as temperaturas acima da média podem prejudicar as lavouras.

“A volatilidade deve seguir na tomaticultura. Mas os preços tendem a ficar num patamar mais alto, mas o clima deve determinar isso”, disse Deleo.

Para quem compra, a leitura prática é de cautela: na avaliação do pesquisador do Cepea, o tomate tende a continuar caro e instável, e o clima das próximas semanas nas áreas produtoras vai definir o ritmo. O peso do item no índice geral é pequeno, mas ele costuma reaparecer nos relatórios mensais do IPCA sempre que o preço dispara ou despenca.

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