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Inflação

IGP-10 acelera para 1,76% em outubro e passa da previsão do mercado

Gasolina e produtos da soja puxam os preços no atacado; em 12 meses, o índice da FGV acumula alta de 5,02%.

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Corredor de supermercado com bancas de frutas e legumes em caixas verdes e etiquetas de preço
Bancas de frutas e legumes em supermercado — Imagem ilustrativaFoto: stevepb/Pixabay

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu 1,76% em outubro, divulgou nesta segunda-feira (19) a Fundação Getulio Vargas. É uma aceleração em relação a setembro, quando a alta tinha sido de 1,47%, e fica acima do que os economistas esperavam: a mediana das projeções consultadas pela Reuters apontava 1,44%. O índice acumula 4,79% de alta no ano e 5,02% nos últimos 12 meses. Um ano antes, o resultado de outubro tinha sido de apenas 0,08%, e a taxa em 12 meses era de 1,60%.

O atacado puxou a alta

O IGP-10 mistura três medidas: o preço ao produtor, que pesa 60% do índice, o preço ao consumidor, com 30%, e o custo da construção. O que mais pesou em outubro foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que passou de 1,90% em setembro para 2,36%.

Segundo o economista Matheus Dias, do FGV Ibre, a aceleração foi “puxada principalmente pelos preços ao produtor, com destaque para os avanços da gasolina automotiva”. Ele também citou a alta de itens da cadeia da soja e dos bovinos.

Quando se olha o IPA por estágio de processamento, o movimento é amplo. Os bens finais saltaram de 0,56% para 1,48%. Os bens intermediários foram de 0,47% para 1,16%. As matérias-primas brutas subiram 3,81%, um ritmo um pouco menor que o de setembro (3,91%).

No consumidor, o desvio vem da comida

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) avançou 0,39% em outubro, abaixo dos 0,44% do mês anterior. Quatro das oito classes de despesa desaceleraram: habitação (de 1,68% para 0,23%), despesas diversas (de 2,11% para 0,06%), saúde e cuidados pessoais (de 0,25% para 0,18%) e transportes (de 0,16% para 0,12%).

Alimentação foi na direção contrária e ficou bem mais cara: a taxa foi de 0,03% em setembro para 1,09% em outubro. A FGV atribui o movimento aos alimentos in natura, como tomate, batata-inglesa e cebola. Vestuário, educação, leitura e recreação e comunicação também aceleraram, em escala menor.

Para Dias, o café em grão e a tarifa de energia elétrica residencial recuaram, mas as quedas “não foram suficientes para compensar as pressões altistas disseminadas entre produtos agropecuários, industriais e combustíveis”.

Construção civil desacelera

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,28%, ante 0,50% em setembro. A mão de obra foi o grupo que mais perdeu fôlego, de 0,80% para 0,27%. Materiais e equipamentos ficaram praticamente estáveis, em 0,28% (eram 0,30%), enquanto o grupo de serviços passou de 0,18% para 0,29%.

Período de coleta e o cenário da inflação

O número de outubro leva em conta os preços coletados de 11 de setembro a 10 de outubro, o ciclo de apuração próprio do IGP-10. A leitura vem no mesmo dia em que o Banco Central publicou o Boletim Focus, em que a projeção de inflação do mercado para o ano segue acima do teto da meta.

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