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Primeiro leilão de gás da União vende os 110 lotes a 23 empresas

PPSA pôs à venda 1,1 milhão de m³ diários para a indústria; ágio médio foi de 35% e a entrega vai de março a dezembro de 2027.

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Complexo industrial com tanques e chaminés iluminados ao entardecer, à beira-mar
Complexo industrial ao entardecer — Imagem ilustrativaFoto: tasukaran/Pixabay

Resumo

  • O 1º Leilão de Gás Natural da União vendeu os 110 lotes, 1,1 milhão de m³ diários, a 23 empresas.
  • O ágio médio foi de 35%, e os preços dependem do Henry Hub mais um adicional definido na disputa.
  • O gás será entregue entre março e dezembro de 2027, na saída da unidade de Itaboraí (RJ).

Toda a oferta do primeiro leilão de gás natural da União encontrou comprador. Na quinta-feira (22), a Pré-Sal Petróleo (PPSA) vendeu os 110 lotes colocados em disputa, equivalentes a 1,1 milhão de m³ diários, a 23 empresas. O ágio médio ficou em 35%, e o gás será fornecido entre março e dezembro de 2027.

Como foi a disputa

O certame, on-line, ocorreu na plataforma da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com 36 proponentes habilitados. Era a primeira vez que a PPSA vendia diretamente aos consumidores o gás processado que pertence à União, numa tentativa de aumentar o número de agentes no mercado e dar mais competitividade à indústria brasileira.

A venda foi dividida em cinco etapas, uma por segmento da indústria de base, e todos os lotes saíram já na primeira rodada de cada uma. O setor químico e petroquímico teve a maior oferta, de 350 mil m³ por dia, seguido pelo de siderurgia, metalurgia e mineração, com 320 mil m³. Os dois juntos concentraram cerca de 670 mil m³ diários, aproximadamente 61% do volume vendido. Ceramistas ofereceram 200 mil m³, fertilizantes nitrogenados 130 mil e o setor vidreiro 100 mil.

Quem comprou

Entre as vencedoras estão grandes nomes da indústria:

  • Químico e petroquímico: Braskem, Rhodia, Evonik, Ingredion e Peróxidos do Brasil.
  • Siderurgia, metalurgia e mineração: CSN, Gerdau, Samarco, Ternium e Vale.
  • Fertilizantes: Yara e Multitécnica.
  • Vidreiro: AGC, Cebrace e Wheaton.
  • Cerâmica: oito empresas, entre elas Biancogres, Dexco, Incepa e Formigres.

Quanto vai custar

Os lances partiram de uma referência de US$ 1,80 por milhão de BTU. Os menores adicionais vencedores foram de US$ 4,00 para o setor vidreiro, US$ 1,86 para o ceramista, US$ 2,30 para siderurgia, metalurgia e mineração, US$ 1,92 para químicos e petroquímicos e US$ 1,82 para fertilizantes nitrogenados.

Esse valor é só uma parte do preço. Cada contrato soma ao adicional da respectiva oferta vencedora o equivalente a 115% da média mensal das cotações do Henry Hub, indicador americano do gás natural, do mês que antecede cada fornecimento. A conta se repete mensalmente, com conversão para reais pela regra cambial do edital. O custo final na fábrica ainda incorpora tributos, transporte e distribuição.

Para Vinicius Romano, vice-presidente de gás da Rystad Energy para a América Latina, os setores que deram lances perto de US$ 2 por milhão de BTU conseguiram, a princípio, gás mais barato que a referência de mercado dos contratos atuais da Petrobras. No segmento vidreiro, avaliou, o lance de US$ 4 “comeu boa parte do desconto” dos demais.

Entrega e logística

A retirada do gás será na saída da unidade de tratamento da Petrobras em Itaboraí (RJ), no complexo que antes se chamava Comperj. Dali até a fábrica, o transporte fica por conta do comprador, que pode fechá-lo sozinho ou com uma comercializadora autorizada.

O que muda

Para as indústrias compradoras, o leilão cria uma via de contratação direta com a União. O efeito sobre o preço final dependerá do Henry Hub, do câmbio e dos custos de transporte e distribuição, que variam de cada fábrica.

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