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Economia global

Lagarde: alta da energia manterá inflação do euro acima da meta até 2027

Presidente do BCE vê riscos para crescimento e preços após reunião do FMI em Bangcoc; China apoia mais vigilância fiscal.

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Christine Lagarde, de óculos, cabelo branco e lenço estampado, discursa na tribuna do Parlamento Europeu
Foto de arquivo: A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, no Parlamento EuropeuFoto: Parlamento Europeu (CC BY 4.0)

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou neste sábado (17) que o choque de energia é “grande demais para ser ignorado” e que a energia mais cara deve segurar a inflação da zona do euro muito acima do objetivo de 2% até meados de 2027. A declaração foi divulgada depois da semana de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangcoc, na Tailândia.

Riscos para crescimento e preços

Lagarde repetiu que os riscos seguem inclinados para baixo no caso do crescimento e para cima no da inflação. Segundo ela, ainda não se sabe quão forte ou longo será o conflito no Oriente Médio, nem o quanto ele vai pesar na atividade econômica. A guerra, disse a presidente do BCE, deixa o mercado de energia sujeito a variações bruscas de preço. Ela citou ainda a guerra da Rússia contra a Ucrânia como fator capaz de tornar o choque mais intenso ou mais duradouro, com efeitos indiretos que prolongariam a alta de preços.

Pelas projeções apresentadas, a inflação cheia deve cair depois do primeiro trimestre de 2027, à medida que o componente de energia recua, e voltar perto da meta de 2% no fim daquele ano. Antes disso, a pressão deve se espalhar aos poucos para a inflação de núcleo e para a de alimentos.

Juros: decisão guiada pelos dados

Sobre a política monetária, Lagarde disse que as próximas decisões dependerão de uma avaliação abrangente dos dados, seguindo a “função de reação” da instituição. O BCE continuará a decidir sobre juros com base em três critérios: a leitura do cenário de inflação e de seus riscos, o comportamento da inflação de fundo e a intensidade com que as decisões do banco se transmitem à economia.

Para ela, uma resposta “comedida” continua adequada para manter a inflação sob controle. Lagarde observou que as condições de financiamento ficaram mais apertadas, já que os juros de longo prazo subiram desde o último encontro do BCE. Isso, afirmou, tende a desacelerar o crescimento e a reduzir o repasse de preços.

Economia resiste

Apesar do quadro, a presidente do BCE lembrou que a economia da zona do euro vem se mostrando resistente diante dos ventos contrários globais e do choque de energia. As projeções de setembro do banco indicam crescimento de 0,9% em 2026, de 1,4% em 2027 e de 1,5% em 2028. A recuperação da renda real, um mercado de trabalho forte, os gastos públicos em infraestrutura e defesa e os investimentos em inteligência artificial e tecnologias digitais sustentam esse cenário.

China apoia mais vigilância do FMI

Na mesma reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional, o presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, disse que Pequim apoia o FMI no reforço da vigilância sobre os riscos fiscais das principais economias avançadas e sobre seus efeitos colaterais. O discurso foi feito durante os encontros anuais do Fundo e do Banco Mundial.

O comunicado final do comitê, divulgado mais cedo, já havia apontado que os riscos para a economia global continuam inclinados para baixo e que a resiliência “não pode ser dada como certa”. O texto defende a redução urgente das vulnerabilidades fiscais e reafirma o compromisso dos bancos centrais com a estabilidade de preços e a independência das instituições. O próximo encontro do FMI será em abril de 2027, em Washington.

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