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Bradesco lucra R$ 7,1 bi no 3º trimestre, alta de 14,6%, e inadimplência sobe a 4,6%

Resultado vem em linha com o esperado pelo mercado; banco também renova recompra de até 106,5 milhões de ações.

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Fachada branca e vermelha de uma agência do Bradesco, com o nome do banco em letras brancas e escada até a porta de vidro
Foto de arquivo: Fachada de agência do Bradesco, em Imbaú, no ParanáFoto: Simplus Menegati (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • Bradesco lucrou R$ 7,1 bilhões no 3º trimestre, 14,6% acima do mesmo período de 2025.
  • A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, e as provisões para calotes chegaram a R$ 10,6 bilhões.
  • O banco renovou o programa de recompra de até 106,5 milhões de ações, que vale de 8 de novembro a 8 de maio de 2028.

O Bradesco fechou o terceiro trimestre de 2026 com um ganho recorrente de R$ 7,1 bilhões, valor 14,6% maior que o do mesmo período do ano passado e 0,8% acima do apurado entre abril e junho. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (22) e ficou praticamente em linha com o que o mercado esperava: a projeção média reunida pela Bloomberg era de R$ 7,145 bilhões. O banco manteve as projeções que tinha para o ano.

A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), foi de 16,1%. O indicador recuou 0,1 ponto percentual em relação ao segundo trimestre, mas está 1,4 ponto acima do registrado um ano antes. Com o resultado, o banco soma o 11º trimestre seguido de melhora desde o início da reestruturação que vem conduzindo.

“Nosso lucro líquido cresceu mais uma vez com expansão das receitas, controle das despesas e boa gestão de risco. Estamos mais capitalizados, aproveitando oportunidades e investindo na organização”, afirmou o presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, em nota.

Crédito cresce, mas calote também

No fim de setembro, a carteira de crédito expandida somava R$ 1,15 trilhão: 11,1% a mais que em setembro de 2025 e 1,1% acima de junho. Os calotes, no entanto, cresceram junto. A parcela de empréstimos atrasados há mais de 90 dias fechou o trimestre em 4,6%, contra 4,1% de um ano antes e 4,3% no segundo trimestre de 2026.

O banco explicou que a deterioração veio sobretudo das pequenas, médias e microempresas, em especial dos empréstimos de capital de giro com aval do governo federal; esses contratos explicam quase metade do aumento do atraso no período. Entre as pessoas físicas, pesaram os atrasos sazonais no banco John Deere, que financia o agronegócio.

“O ambiente macro mantém pressão na inadimplência, o que nos estimula a fazer mais ajustes finos de modelos, preços e reduzir a nossa exposição a clusters mais voláteis de clientes”, declarou a instituição, ao apontar que o efeito é mais intenso nos segmentos de menor renda.

Provisões e receitas

As despesas com provisões para perdas de crédito, dinheiro que os bancos separam para cobrir possíveis calotes, somaram R$ 10,6 bilhões. O valor é 24,3% maior que o de um ano antes e 6,6% superior ao do trimestre passado. Já o custo do crédito, que mede o peso das perdas sobre a carteira, chegou a 3,7%: 0,2 ponto percentual a mais que entre abril e junho e 0,4 ponto acima do de 12 meses antes.

Do lado das receitas, a margem financeira, que reúne os ganhos do banco com juros e com a tesouraria, chegou a R$ 21,3 bilhões, 14,2% a mais que no trimestre anterior. A fatia que vem de clientes, entre eles correntistas e empresas, cresceu 10,1% e atingiu R$ 20,5 bilhões, puxada pela expansão da carteira. Já a margem com o mercado foi de R$ 875 milhões, contra R$ 99 milhões um ano antes, o que representa alta de 783% na comparação anual e de 30% sobre o trimestre anterior. O banco atribuiu o desempenho à “boa gestão de risco” e à geração de valor da mesa de produtos com risco de mercado para clientes.

Recompra de ações

No mesmo dia, o Bradesco anunciou a renovação do programa de recompra de ações. O banco poderá comprar até 106,5 milhões de papéis em circulação na B3, sendo até 53,4 milhões ordinárias (BBDC3) e 53,2 milhões preferenciais (BBDC4). As compras poderão ser feitas entre 8 de novembro de 2026 e 8 de maio de 2028, a preço de mercado.

Pelo comunicado, a iniciativa busca “identificar oportunidades de mercado, maximizando a alocação de recursos disponíveis em reservas”, sem comprometer os resultados. Quando a empresa cancela as ações recompradas, cada papel que permanece em circulação passa a representar uma fatia maior do capital, o que pode elevar proporcionalmente os dividendos e os juros sobre capital próprio pagos por ação. Isso não garante, porém, valorização dos papéis.

O que olhar daqui para frente

O balanço mostra um banco que lucra mais e cobra mais caro pelo risco, mas que ainda lida com a qualidade da carteira. Para o leitor que tem conta, financiamento ou cartão no Bradesco, a mensagem do próprio banco é de ajustes em modelos e preços e de menor exposição a grupos de clientes considerados mais voláteis. Para o investidor, os números de inadimplência e de provisões serão o principal ponto de atenção nos próximos balanços.

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