Dólar abre em alta, perto de R$ 5,05, com petróleo em disparada e eleição no radar
Moeda sobe 0,45% na abertura; Brent passa de US$ 111 e Bolsas asiáticas caem forte; Ibovespa abre às 10h.

Resumo
- O dólar abriu a quinta (22) em alta de 0,45%, perto de R$ 5,05, depois de fechar a véspera a R$ 5,0272.
- O Brent subiu quase 3% e passou de US$ 111 por barril, com tensão no Estreito de Ormuz e ataques entre Rússia e Ucrânia.
- Investidores acompanham balanços e a nova pesquisa Datafolha; o Ibovespa começa a ser negociado às 10h.
O dólar comercial abriu a sessão desta quinta-feira (22) em alta. Perto das 9h, a moeda americana avançava 0,45% e era negociada a R$ 5,0500. Na quarta-feira (21), o câmbio havia fechado a R$ 5,0272, com valorização de 0,17%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, só começa a operar às 10h; na véspera, ele recuou 0,86% e terminou aos 206.495 pontos.
O movimento de abertura mistura fatores de fora e de dentro do país. Lá fora, o petróleo voltou a subir. Aqui, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, os investidores digerem as pesquisas mais recentes e aguardam novos números.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
Por volta das 8h50, o Brent, usado como referência no mercado global, avançava 2,83% e valia US$ 111,90 o barril. Nos Estados Unidos, o WTI subia 2,16%, a US$ 99,25. Sustentam o movimento os ataques a navios na região de Ormuz e uma retração nos estoques americanos acima da prevista.
As relações entre Estados Unidos e Irã continuam no centro das atenções. Na quarta, o governo iraniano avisou o chefe do Exército paquistanês, que atua como mediador, que não negociará com Washington até ver suas demandas cumpridas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que os americanos só ganharão a confiança do país se atenderem às sete condições apresentadas no mês passado para reabrir Ormuz. Antes da guerra, aquela passagem escoava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Entre as condições estão o fim do bloqueio americano aos portos iranianos, o fim das sanções às exportações de petróleo do país e a interrupção das hostilidades em todas as frentes da região.
Outro fator é a guerra na Europa. Rússia e Ucrânia voltaram a se atacar, embora Moscou tenha dito, na véspera, que aceitaria voltar a negociar com Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esperar que as conversas aconteçam no início de novembro.
Bolsas asiáticas caem com receio sobre inteligência artificial
Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa generalizada, pressionadas por ações do setor de inteligência artificial, em meio ao temor de que o crescimento e as valorizações das empresas sejam insustentáveis. Em Xangai, o SSEC perdeu 1,48%, e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, teve queda de 1,84%. A Bolsa de Tóquio, medida pelo Nikkei, fechou 2,67% abaixo; em Seul, o Kospi cedeu 3,52%; em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 3,03%.
Eleição e contas públicas
Dentro do país, o mercado olha para o calendário político. A pesquisa Quaest divulgada na quarta mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto no segundo turno e Lula (PT) com 44%, empate técnico. Na mesma sondagem, 44% dos entrevistados dizem ter receio do retorno dos Bolsonaro ao poder, enquanto 42% receiam outro mandato de Lula. Uma nova rodada do Datafolha deve ser divulgada ainda nesta quinta.
O cenário fiscal também entra na conta. O governo enviou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição que prevê tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana em todo o país. A conta seria paga com R$ 12 bilhões retirados das emendas de parlamentares previstas para 2027, o que corresponde a 26,8% de tudo o que está reservado para esse tipo de verba.
Os balanços de empresas, divulgados ao longo da semana, completam a lista de assuntos que movem os preços.
O que isso significa para o bolso
O dólar é referência para o preço de produtos importados, de insumos usados pela indústria e de viagens ao exterior; por isso, a oscilação diária costuma ser acompanhada de perto. Uma alta de menos de 1% em um único pregão, como a desta manhã, não muda por si só o preço do que se paga no mercado, e a cotação pode se alterar ao longo do dia. O petróleo mais caro, por sua vez, é um dos fatores que costumam pesar nos combustíveis e, depois, na inflação.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.








