Focus mantém IPCA de 2026 em 5,22% e corta previsão do PIB para 1,83%
Projeção de inflação segue acima do teto da meta, e a do PIB recua; Selic de fim de ano fica em 13,25%.

O mercado financeiro manteve em 5,22% a previsão de inflação para 2026 e, ao mesmo tempo, passou a esperar um crescimento menor da economia. Os números são do Relatório Focus, que o Banco Central divulgou na manhã desta segunda-feira (19) e que reúne as projeções de analistas coletadas até a sexta-feira anterior. A estimativa do IPCA, o índice oficial de preços, ficou igual à da semana anterior, mas continua acima do limite que o governo se comprometeu a respeitar.
Inflação fora da meta
O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou em 3% o alvo de inflação deste ano e admite uma margem de 1,5 ponto para mais ou para menos. Na prática, o objetivo vale como cumprido se o IPCA terminar 2026 entre 1,5% e 4,5%. Com a projeção de 5,22%, o mercado enxerga o índice acima do teto, e a distância é de 0,72 ponto percentual.
Para 2027, os analistas elevaram a expectativa de 4,30% para 4,32%. O número também está acima do centro da meta, embora dentro da faixa de tolerância.
Crescimento mais fraco
No caso do Produto Interno Bruto (PIB), a revisão foi para baixo. A projeção para 2026 passou de 1,85% para 1,83%. Para 2027, a previsão de crescimento caiu de 1,40% para 1,32%, e para 2028 foi de 1,83% para 1,81%. Os cortes são pequenos em cada ano. Em contraste, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou, na semana passada, alta de 2,2% do PIB brasileiro em 2026.
Juros e dólar
A taxa básica de juros, a Selic, segue com projeção de 13,25% para o fim de 2026. Para 2027, o mercado continua esperando 12%, e para 2028, 10,5% ao ano. A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para conter os preços, e é em cima dela que bancos e empresas calculam o custo de empréstimos e financiamentos.
No câmbio, a aposta para o dólar no fim de 2026 ficou em R$ 5,13, abaixo dos R$ 5,15 da semana anterior. Para o fim de 2027, o número passou a R$ 5,22 (antes, R$ 5,26) e, para 2028, a R$ 5,29 (antes, R$ 5,30).
O que o mercado olha agora
O boletim saiu na última semana de campanha do segundo turno da eleição presidencial, tema que domina as atenções dos investidores. Na sexta-feira (16), o dólar fechou em queda de 0,28%, a R$ 5,0728, e o Ibovespa recuou 0,54%, aos 205.430 pontos. Nesta segunda, a moeda americana abriu em baixa, perto de R$ 5,06, com os investidores acompanhando também o PIB da China, que cresceu 4,5% no terceiro trimestre, e as manifestações na Europa.
O Focus é divulgado normalmente às segundas-feiras e funciona como termômetro das expectativas do mercado. Os números não são previsões do Banco Central: refletem as apostas de instituições financeiras e consultorias, e servem de referência para quem acompanha o rumo da inflação, dos juros e do câmbio, que influenciam o preço das compras, o custo do crédito e o valor das viagens ao exterior.
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