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Presidente da Petrobras: ninguém previu barril a US$ 116 e 'algo' precisa ser feito

Magda Chambriard afirma que a estatal começa a discutir como reagir à alta do petróleo, mas que nada está definido sobre preços.

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Magda Chambriard, de óculos vermelhos e blazer branco, sorri com uma medalha no pescoço
Foto de arquivo: Magda Chambriard, presidente da PetrobrasFoto: Ricardo Stuckert/PR

Resumo

  • Magda Chambriard disse que ninguém previu o barril de petróleo a US$ 116 no fim de outubro.
  • Segundo ela, a Petrobras começa a tratar do assunto, mas 'o que nós vamos fazer não está definido'.
  • A executiva citou 2018 e 2019 como lição: seguir o preço internacional custou dinheiro e fatia de mercado.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa não esperava um petróleo tão caro neste fim de outubro e que será preciso reagir. A declaração consta de entrevista concedida ao jornal O Globo e publicada neste sábado (24). “Ninguém imaginou que nós íamos ter um final de outubro com o barril a US$ 116”, disse.

O que ela disse sobre a alta

Segundo Chambriard, quando o preço chegou a US$ 120 no meio do ano, todas as expectativas eram de queda, porque se esperava que a guerra no Irã durasse pouco. Agora, afirmou, a estatal “está começando a tratar desse assunto, de um cenário que não era previsível por nenhum dos analistas” que dão suporte à empresa.

Sobre o que será feito, ela não antecipou medidas. “Temos que fazer alguma coisa em relação a isso. O que nós vamos fazer não está definido”, declarou.

A lição de 2018 e 2019

Ao falar sobre como agir, ela recorreu ao passado. Para Chambriard, é preciso “colher os aprendizados”, e o principal vem de 2018 e 2019. “Fomos perseguir pari passu os preços internacionais e, no final, buscando ganhar muito dinheiro, acabamos perdendo dinheiro e market share, que foi difícil recuperar depois”, afirmou.

Guerra e refino

A presidente explicou que a guerra entre Estados Unidos e Irã provocou uma destruição de capacidade de refino no mundo e um salto no spread do diesel, que é a diferença entre o custo de produção e o preço final. O frete para importar diesel e gás, segundo ela, “foi para a estratosfera”, com rotas de navegação impedidas e a realocação para trajetos mais longos.

“Tudo isso ameaçou a segurança energética, e a gente precisa continuar produzindo mais óleo e buscar mais parcerias com quem quer ampliar seus fornecedores”, disse. Como exemplo, citou que a Petrobras vendeu pela primeira vez petróleo cru ao Japão neste ano, cliente que a empresa sempre olhou, mas com quem nunca havia fechado negócio. Segundo ela, a demanda chegou por meio da embaixada.

América do Sul e exportações

Perguntada pelo lugar da região no mercado global, em meio às guerras no Irã e no restante do Oriente Médio, Chambriard respondeu que “a América do Sul somos nós”. Ela afirmou que a Guiana cresce, mas tem duas plataformas, e que a Venezuela vive um cenário incerto.

A presidente lembrou que a Petrobras é a 7ª maior produtora de petróleo do mundo e fica em país que é a 10ª maior economia. O petróleo é o primeiro produto de exportação do Brasil há dois anos seguidos, segundo ela, e deve repetir a posição neste ano.

Impacto no bolso

O petróleo caro já aparece nas bombas. Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log, divulgado na terça-feira (20), o litro do diesel comum chegou a R$ 7,20 na primeira quinzena de outubro, alta de 6,67% sobre a segunda metade de setembro.

O que vem agora

A Petrobras ainda não anunciou se haverá mudança nos preços de diesel ou gasolina. A própria presidente disse que o que será feito “não está definido”.

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