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Petróleo Brent passa de US$ 114 pela primeira vez desde maio e pressiona os mercados

Barril chegou a US$ 114,70 na quinta à noite, o maior valor desde 4 de maio, em meio a ataques a refinarias sauditas.

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Refinaria de petróleo iluminada ao entardecer, com tanques e torres de destilação à beira-mar
Refinaria de petróleo ao entardecer — Imagem ilustrativaFoto: tasukaran/Pixabay

Resumo

  • O Brent passou de US$ 114 o barril pela 1ª vez desde maio e chegou a US$ 114,70 na quinta (22).
  • Às 7h20 de sexta (23), o Brent valia US$ 114,36 e o WTI, US$ 101,04, ambos em alta.
  • A alta se soma à queda das gigantes de tecnologia em Wall Street e a temores sobre a economia global.

O preço do petróleo superou US$ 114 por barril nesta sexta-feira (23) pela primeira vez desde maio, e o movimento ajudou a pressionar os mercados globais, que já vinham de uma forte venda de ações de gigantes de tecnologia em Wall Street na noite de quinta (22).

Os números do barril

Na noite de quinta, por volta das 23h em Brasília, o Brent (a principal referência mundial) avançou até 1,35% e foi a US$ 114,70, ou R$ 577,90. Não se via patamar assim desde 4 de maio, dia em que o barril tocou US$ 115,30. Por volta das 7h20 desta sexta, a negociação estava em US$ 114,36 (R$ 576,19), alta de 1,05%.

Nos Estados Unidos, o WTI custava US$ 101,04 (R$ 509,08) no mesmo horário, 1,58% acima do dia anterior.

Por que o preço sobe

A escalada começou na semana passada, quando os houthis, grupo iemenita aliado do Irã, passaram a atacar com mais intensidade alvos estratégicos sauditas, entre eles refinarias e aeroportos. As conversas de paz na região não avançaram nos últimos dias, o que mantém o mercado em alerta.

A tensão também aparece no gás natural: na Europa, o preço subiu mais 4% e acumula alta de quase 30% só neste mês. “É certamente um mercado tenso”, disse Kit Juckes, estrategista de câmbio do Société Générale.

Wall Street e os títulos públicos

A alta do petróleo veio no mesmo dia em que as bolsas sentiam o efeito da noite anterior. Na quinta-feira, a Nasdaq encerrou o pregão com recuo de 2,9%. O estopim foi a projeção de investimentos da Meta, bem superior ao esperado, que reforçou o temor de que a onda de aportes das gigantes de tecnologia, cada vez mais bancada por dívida, não traga o retorno esperado.

A fuga para ativos de proteção levou os títulos do Tesouro americano ao melhor desempenho diário desde 2023, e o rendimento dos papéis de dez anos caiu 0,19 ponto percentual. Houve ainda mais um dia de vendas em títulos mais arriscados da zona do euro, em meio à liquidação dos títulos públicos franceses.

“As turbulências das últimas semanas vieram todas à tona de uma só vez”, afirmou Jim Reid, do Deutsche Bank. A disparada recente do barril coloca em risco a economia global num momento em que também aumentam as dúvidas sobre o fôlego dos investimentos das big techs.

O que isso significa para o Brasil

O preço do barril é acompanhado de perto pelo mercado de combustíveis. Na terça-feira (20), o Fato em Dia mostrou que o diesel comum subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro e chegou a R$ 7,20 por litro, segundo o IPTL, em movimento que acompanhava o petróleo acima de US$ 111. Na quinta, o Brent já passava de US$ 111 e o dólar abria em alta no Brasil.

A agenda econômica desta sexta traz ainda a prévia da inflação brasileira e dados da economia dos Estados Unidos, que podem mexer com o câmbio e com a expectativa de juros.

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