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IPCA-15 desacelera para 0,32% em outubro, mas inflação em 12 meses sobe a 4,62%

Alimentos e combustíveis pesam, com o tomate no topo das pressões; energia e passagens aéreas mais baratas seguram o índice.

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Corredores de frutas e verduras de um supermercado vistos de cima, com clientes e carrinhos entre as bancas
Corredor de hortifrúti em supermercado, visto do alto — Imagem ilustrativaFoto: ElasticComputeFarm/Pixabay

Resumo

  • O IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%, menos da metade dos 0,7% de setembro, segundo o IBGE.
  • Em 12 meses, a prévia da inflação chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta do governo.
  • Alimentos (0,88%) e combustíveis (1,2%) subiram; energia elétrica (-0,89%) e passagens aéreas (-9,24%) caíram.

A inflação medida pelo IPCA-15, a prévia do índice oficial de preços do país, perdeu força em outubro, mas continua acima do que o governo considera confortável. O IBGE informou nesta sexta-feira (23) que o indicador avançou 0,32% no mês, menos da metade dos 0,7% registrados em setembro. No acumulado de 12 meses, porém, a taxa subiu de 4,47% para 4,62%, ultrapassando o teto de 4,5% que a meta de inflação tolera.

O resultado veio exatamente no ponto que o mercado esperava. A sondagem Focus, do Banco Central, divulgada na segunda-feira (19), já projetava 0,32% para o mês. Um ano antes, em outubro de 2025, a prévia tinha ficado em 0,18%, o que ajuda a explicar por que a taxa de 12 meses ainda avançou.

Comida pesa no bolso

O grupo de alimentação e bebidas foi o maior responsável pela pressão: subiu 0,88% e contribuiu com 0,19 ponto percentual para o resultado final. Dentro dele, a comida consumida em casa ficou 1,01% mais cara, ritmo bem acima dos 0,38% da leitura anterior.

O tomate, que já vinha sendo destaque nos números de setembro, foi o produto individual que mais empurrou o índice para cima. Entre os itens que recuaram estão a cenoura, com queda de 10,67%, as frutas (-1,37%) e o café moído (-1,16%).

Combustíveis encarecem os transportes

No grupo de transportes, o aumento foi puxado pelos combustíveis, que subiram 1,2% em média. O óleo diesel teve a maior alta, de 3,70%, seguido pelo etanol (2,73%) e pela gasolina (0,92%). O gás veicular foi na contramão e recuou 0,18%.

Nesse mesmo grupo, as passagens aéreas ficaram 9,24% mais baratas e exerceram o maior impacto negativo do mês, de 0,08 ponto percentual, ajudando a segurar o índice.

Conta de luz alivia

A habitação foi o único grupo com retração, de 0,10%. O principal motivo foi a energia elétrica residencial, que caiu 0,89% com a mudança da bandeira tarifária, que saiu da amarela (adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh usados) e foi para a verde, na qual não há cobrança extra.

O movimento contrasta com setembro, quando a energia subiu 7,42% e foi o principal motor de alta da prévia. Naquele mês, o fim de um desconto ligado ao bônus de Itaipu fez a tarifa voltar ao patamar normal.

Outros grupos tiveram variações menores: artigos de residência subiram 0,28%, e saúde e cuidados pessoais, 0,15%.

O que dizem os especialistas

O economista Roberto Luis Troster, que coordena o Cefeb, centro de estudos da Fipe voltado ao financiamento das empresas, vê um quadro sem melhora generalizada: para ele, os alimentos concentraram a pressão. “A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação. Em resumo: ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou”, avaliou.

Como o índice é calculado

O IPCA-15 segue praticamente a mesma metodologia do IPCA, a inflação oficial usada como referência para a política de metas do governo, cujo objetivo é 3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A principal diferença está no calendário de coleta: a prévia é divulgada antes do fim do mês de referência. Nesta divulgação, a coleta de preços foi feita entre 16/9 e 14/10.

A pesquisa acompanha 367 produtos e serviços em 11 localidades, entre elas as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. Os valores consideram famílias com renda entre um e 40 salários mínimos; o piso nacional hoje é de R$ 1.621.

Próximos passos

O IPCA completo de outubro será divulgado pelo IBGE em 12 de novembro. Até lá, o comportamento de alimentos e combustíveis segue em observação, já que a taxa em 12 meses está acima do teto da meta. Para o consumidor, a mensagem é de alívio pontual na luz e nas passagens aéreas, mas de pressão persistente no mercado e no posto.

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