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BYD pede licença para dobrar fábrica da Bahia e produzir 600 mil carros por ano

Vice-presidente diz que unidade de Camaçari terá mais de 50% de componentes nacionais em 2027 e que a demanda já supera a produção.

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O presidente Lula, de terno azul, assina com caneta a superfície de um carro com o logotipo da BYD, cercado por autoridades e equipe de imprensa
Foto de arquivo: O presidente Lula assina o capô de um carro na cerimônia de inauguração da fábrica da BYD, em CamaçariFoto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)

Resumo

  • A BYD pediu licenças para dobrar a fábrica de Camaçari (BA) para 600 mil veículos por ano.
  • A empresa diz que passará de 50% de peças nacionais em 2027 e já tem pedidos do México e da Argentina.
  • A demanda média é de 30 mil carros por mês, acima da produção atual.

A BYD quer duplicar a capacidade da fábrica que mantém em Camaçari, na Bahia, e já iniciou os pedidos de licença para que a unidade possa produzir 600 mil veículos por ano. O plano foi revelado nesta sexta-feira (23) por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da montadora chinesa no Brasil, em entrevista.

Em paralelo, a empresa está concluindo a construção e os testes das áreas de estamparia, soldagem e pintura, que completam a linha de produção instalada no país.

Mais peças fabricadas no país

Baldy afirmou que a unidade baiana vai ultrapassar, já no começo de 2027, o piso de 50% de componentes nacionais exigido pelas regras. Cumprir esse índice, segundo ele, vai atender à regulamentação e abrir caminho para vender a países vizinhos.

“A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local”, disse o executivo.

A montadora vinha sendo criticada por representantes da indústria nacional, que diziam que ela dependia demais de carros importados e de alíquotas que estavam temporariamente baixas.

Procura acima do que a fábrica entrega

O objetivo da BYD é liderar as vendas no mercado brasileiro até 2030. Hoje, segundo Baldy, os pedidos já são maiores do que a fábrica consegue produzir. A meta é alcançar 25 mil unidades por mês até dezembro, enquanto a demanda gira em torno de 30 mil.

“Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais”, declarou.

Encomendas de dois países vizinhos

Com mais conteúdo local a partir de 2027, a fábrica poderá atender pedidos já recebidos: 50 mil carros do México e 50 mil da Argentina. A BYD, de acordo com o executivo, é a marca mais vendida do Uruguai e figura entre as principais na Colômbia e na Argentina.

Números do investimento

Baldy contabilizou mais de R$ 5,5 bilhões aplicados na fábrica brasileira. As vendas faturadas de 2026 devem somar, ainda esta semana, 200 mil automóveis. Em setembro, a empresa teve 22.209 carros emplacados no país, o que equivale a 8,5% do mercado, conforme números da própria BYD.

A unidade foi inaugurada em 9 de outubro de 2025, num complexo que antes pertencia à Ford. Hoje trabalham ali cerca de 9 mil pessoas, e a empresa espera chegar a aproximadamente 10 mil empregados até o fim deste ano.

Ainda falta o aval

Como o pedido de licenças acabou de começar, a ampliação depende de autorizações dos órgãos responsáveis. A BYD não apresentou, nas informações divulgadas até agora, o valor do investimento extra nem a data em que os 600 mil veículos por ano devem estar em operação.

Enquanto isso, a empresa quer encerrar 2026 produzindo 25 mil carros por mês e iniciar 2027 com índice de nacionalização acima do mínimo, condição para ser tratada como fabricante local e começar as vendas ao exterior.

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