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Guerra na Ucrânia

Zelensky diz que limite ao Starlink na Ucrânia parece deliberado; Trump nega ordem

Kiev diz que drones interceptadores perderam eficácia; Musk atribui a decisão ao governo dos EUA, e Trump nega ter mandado reduzir.

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Volodymyr Zelensky, de preto, fala ao microfone e gesticula com a mão direita diante de uma parede de madeira com prateleirasDonald Trump, de sobretudo preto e gravata vermelha, acena no alto da escada do Air Force One
Foto de arquivo: Volodymyr Zelensky (à esquerda) e Donald TrumpFotos: Xuthoria (CC BY-SA 4.0) (à esq.) e Molly Riley/Casa Branca (à dir.)

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste sábado (17) que as restrições impostas ao Starlink nas forças ucranianas parecem deliberadas. A fala amplia uma disputa sobre quem mandou reduzir a velocidade do serviço de internet por satélite que os militares do país usam para se comunicar, operar drones e proteger cidades dos ataques russos.

O que a Ucrânia relata

Segundo autoridades ucranianas, a SpaceX limitou, sem aviso prévio, o desempenho do Starshield, a versão militar do Starlink, entre os dias 13 e 14 de outubro. Terminais instalados em veículos e equipamentos que se deslocam a mais de 160 km/h perderam a conexão, entre eles drones.

Serhii Beskrestnov, assessor de Zelensky, escreveu no Telegram que as Forças Armadas não foram avisadas sobre as restrições e que isso levou ao fracasso de várias missões.

Na sexta-feira (16), Zelensky detalhou o problema. De acordo com ele, o serviço não foi desligado: a velocidade é que caiu, e com isso o país deixou de derrubar alguns dos drones Shahed a jato lançados pela Rússia. Os interceptadores ucranianos, projetados para trabalhar com o Starlink, dependem da conexão rápida para alcançar esses alvos. Ele chamou o efeito de “consequências dolorosas”.

O presidente também disse que o acesso estava sendo restabelecido aos poucos, mas que a conexão na linha de frente ainda não voltou ao nível necessário. Afirmou ter sido informado por parceiros de que o governo americano e a Casa Branca pediram à SpaceX que normalizasse o serviço.

Trump e Musk

Perguntado por jornalistas em Washington sobre quem suspendeu o acesso dos militares ucranianos, Trump respondeu: “Não sei se foi alguém, porque não fui eu, e não acho que tenha sido Elon”. E acrescentou que, pelo que entendeu, “está tudo como sempre esteve”.

Em publicação no X na quarta-feira (14), Elon Musk, dono da SpaceX, havia escrito que os sistemas Starshield pertencem ao governo dos Estados Unidos e são controlados por ele, e que qualquer limite de velocidade ou de uso é decidido pelo Exército americano e, em última instância, pelo presidente. Musk e a SpaceX não responderam de imediato aos pedidos de comentário sobre a fala de Trump.

Duas versões de bastidor circulam. Uma agência internacional de notícias, citando dois funcionários americanos e um ocidental, informou na quinta-feira (15) que a ordem partiu de dentro da Casa Branca, sem identificar quem a deu. O jornal britânico The Telegraph, com base em quatro fontes, disse que Musk propôs a Trump reduzir a velocidade e que o presidente concordou. Nenhuma das duas informações foi confirmada oficialmente.

Pressão de aliados

Nas redes sociais, Radoslaw Sikorski, vice-primeiro-ministro polonês, fez críticas a Musk e questionou se o empresário estava de novo a “brincar de política” com seus produtos. O governo da Polônia pagou à SpaceX por serviços Starlink que são usados pela Ucrânia.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse na sexta que as restrições devem ser suspensas imediatamente. A Alemanha financia parte da infraestrutura usada pelos ucranianos e, segundo ele, ainda não tem o quadro completo sobre as causas do corte; Berlim fez perguntas aos Estados Unidos e espera as respostas.

Contexto

Os militares ucranianos dependem do Starlink e do Starshield há anos para reunir informações com drones autônomos e manter comunicações no campo de batalha. O problema apareceu poucos dias depois de Trump pedir que a Ucrânia parasse de atacar refinarias de petróleo russas. No dia 10, Musk havia escrito no X que Zelensky “foi longe demais”.

As relações entre Washington e Kiev também ficaram mais tensas depois que Zelensky criticou o acordo do diesel fechado pelos americanos com a Rússia, tema de outra matéria do site.

Correção: Johann Wadephul é ministro das Relações Exteriores da Alemanha, e não “chanceler alemão” (título do chefe de governo), às 13h55.

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