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Protestos na França

França tem confrontos e gás lacrimogêneo em protestos contra o custo de vida

Governo francês fala em cerca de 400 detidos e 550 mil pessoas nas ruas; prefeituras foram invadidas em Marselha e Lille, e um prédio de turismo foi incendiado em Lyon.

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Manifestantes de coletes amarelos caminham por uma rua da França sob fumaça escura e sinalizador aceso, com bandeiras tricolores ao fundo
Foto de arquivo: Protesto dos Coletes Amarelos, movimento lembrado nos atos atuaisFoto: Patrice Calatayu (CC BY-SA 2.0)

Atualização: o número de detidos nos protestos em todo o território francês chegou a cerca de 400, de acordo com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, e o gás lacrimogêneo foi empregado pelas forças de segurança em diversas cidades. Manifestantes invadiram as prefeituras de Marselha e Lille, um prédio de turismo foi incendiado em Lyon, e dezenas de milhares de estudantes, sindicalistas e integrantes de outros grupos marcharam em Paris.

O balanço mais recente

Pelos números divulgados por Nuñez, os atos deste sábado levaram cerca de 550 mil pessoas às ruas da França, sendo 110 mil só na capital. O ministro contabilizou perto de 400 detidos, em sua maioria adultos que, segundo ele, não têm relação com o movimento dos estudantes, e 60 policiais feridos. Mais cedo, a pasta havia informado mais de 160 e, depois, mais de 272 detenções. De acordo com o ministro, Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha foram palco de saques ou de tentativas de saque. Ele atribuiu a violência a grupos da esquerda radical e da extrema esquerda e disse que havia intenção clara de atacar prédios públicos.

Polícia e líderes políticos trocam acusações

Responsável pelo comando das forças policiais da capital, a Prefeitura de Polícia de Paris saiu em defesa dos agentes em uma postagem no X: “Não recuamos diante de vândalos e daqueles que vieram para atacar as forças da ordem”. Em outra mensagem, afirmou que policiais eram confrontados por “indivíduos hostis, determinados a praticar atos de violência” na Place de la République e que eles “mantêm suas posições com coragem e profissionalismo”.

A líder da ultradireita, Marine Le Pen, do União Nacional, escreveu no X que agitadores “envenenaram” as manifestações e que reivindicações sociais legítimas foram, “mais uma vez, feitas reféns pela extrema-esquerda”. Já Jean-Luc Mélenchon, cujo partido, França Insubmissa, apoia o movimento estudantil, disse que a maior parte dos atos transcorria de forma pacífica: “enquanto os canais de notícias estão inundados de imagens de violência em dezenas de cidades, tudo transcorre pacificamente”. Para ele, a violência em Paris foi “orquestrada pela autoridade policial”, que bloqueia o acesso à Place de la République ao lançar gás lacrimogêneo de forma incessante. As autoridades reconheceram, segundo a BFMTV, que a grande maioria das pessoas se manifesta pacificamente.

Neste sábado (17), houve choques entre policiais e manifestantes, com uso de gás lacrimogêneo, em diversas cidades francesas. Foi o dia de maior adesão a uma sequência de protestos contra a carestia e as condições dos serviços públicos, e os atos figuram entre os mais violentos que o país viu nos últimos anos.

Os números do governo

Segundo as autoridades, até o meio-dia (horário local) foram registradas 140 manifestações fora de Paris, que juntaram 32,8 mil pessoas. O Ministério do Interior informou que houve incidentes violentos em diversas cidades, com vandalismo em Marselha e ataques a policiais, a profissionais de imprensa e a prédios públicos. O governo atribui a violência a grupos que classifica como de “ultraesquerda”.

Na região de Paris, cerca de 100 pessoas foram detidas, segundo a emissora BFMTV, a maioria por carregar equipamentos de proteção proibidos.

Como o movimento começou

Tudo começou no mês passado, em colégios de ensino médio de bairros pobres ao norte de Paris, onde alunos reclamavam de salas sem professor e prédios em mau estado. Com o passar das semanas, a pauta cresceu e passou a incluir a desigualdade, os gastos públicos e a perda de poder de compra da população.

“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço do combustível está alto demais e porque estudantes do ensino médio estão sendo atacados e feridos com violência em todo o país só por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino”, disse a manifestante Lola, de 19 anos, em Paris.

Paris sob forte esquema policial

O centro de Paris teve forte presença policial, sobretudo nos arredores do Arco do Triunfo e da avenida Champs-Élysées, locais que não faziam parte do percurso das duas passeatas autorizadas. Vestindo coletes refletivos, grupos de manifestantes bloquearam vias, numa cena que remete aos Coletes Amarelos, movimento que agitou o primeiro mandato de Emmanuel Macron.

O prefeito de Marselha relatou que o prédio da prefeitura foi depredado. Após conversas com o primeiro-ministro e com o ministro do Interior, o governo resolveu enviar mais policiais para a cidade.

Críticas à ação da polícia

Os métodos da polícia passaram a ser contestados após vários manifestantes saírem feridos. Entre eles está um adolescente que ficou sem uma das mãos depois de segurar uma granada de efeito moral. Do lado das forças de segurança, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que o número de policiais feridos nos confrontos passa de 900. Ao menos 24 queixas de agressão por parte de agentes estão sob apuração do órgão de controle da atividade policial.

Nos protestos de estudantes, essas granadas tinham sido suspensas pelo governo francês. Para os atos deste sábado, no entanto, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que o artefato poderia ser usado.

Pressão sobre Macron

Na sexta-feira (16), Macron pediu calma. Ele se aproxima do fim do mandato com o quadro político dividido e com a economia pesando cada vez mais: as medidas do governo para cortar o endividamento público não acalmaram o mercado, e a França paga hoje para se financiar o maior custo em mais de 20 anos.

Apelos nas redes sociais para que participantes de protestos anteriores se juntassem aos atos parecem ter ampliado a adesão e aumentam a chance de manifestações ainda maiores. Os Coletes Amarelos apareceram em 2018 em reação ao aumento de impostos sobre o diesel e logo ampliaram a pauta para a carestia e a desigualdade. As ruas só esvaziaram quando Macron anunciou um pacote de bilhões de euros em redução de impostos.

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