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Estados Unidos e Brasil

Governo Trump diz apoiar eleição livre no Brasil e defende sanções a Moraes, PCC e CV

Em carta a congressista americana, Departamento de Estado responde a 31 deputados que acusaram a Casa Branca de interferir na votação.

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O presidente Donald Trump, de terno azul, gravata vermelha e boné vermelho escrito USA, posa diante das bandeiras dos Estados Unidos e da PresidênciaO ministro Alexandre de Moraes, de toga preta e gravata azul, sentado no plenário do STF, olha de lado com expressão séria
Fotos: The White House (à esq.) e Rosinei Coutinho/STF (à dir.)

O governo do presidente Donald Trump afirmou, em carta assinada na quinta-feira (15), que apoia o direito dos brasileiros de escolher seus representantes em eleições “livres e justas”. No mesmo documento, o Departamento de Estado dos Estados Unidos defendeu as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O conteúdo foi revelado pelo g1 nesta sexta-feira (16).

A quem a carta responde

O texto foi enviado a uma congressista americana e responde a uma carta de setembro assinada por 31 deputados dos EUA. Eles pediam que a Casa Branca respeitasse o processo eleitoral brasileiro e acusavam o governo Trump de tentar interferir na eleição por meio de medidas econômicas, políticas e diplomáticas contra o Brasil.

Essa cobrança foi seguida de outras. No dia 24 de setembro, o grupo de 31 parlamentares escreveu ao secretário de Estado, Marco Rubio, e exigiu que os EUA se comprometessem a reconhecer o resultado das eleições de outubro. Cinco dias depois, três senadores democratas pediram a Rubio garantias de que Washington aceitará o resultado das urnas, e expressaram “preocupação com ações do governo” que ameaçam a aliança estratégica com o Brasil. Em 6 de outubro, depois do primeiro turno, outro grupo, de 12 deputados, enviou nova carta de três páginas apontando uma “escalada desnecessária” capaz de romper as relações entre os dois países.

O que diz o Departamento de Estado

Na resposta, o órgão sustenta que os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro de realizar eleições livres e justas e que continuarão a se relacionar com o próximo governo eleito. “Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade nos dois países”, afirma o texto.

Por outro lado, o departamento defende a aplicação de sanções contra autoridades e grupos brasileiros. Segundo a carta, as decisões seguiram os critérios legais e regulatórios de cada medida.

Moraes e a Lei Magnitsky

Sobre a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes, em julho de 2025, o Departamento de Estado diz que a medida se baseou em documentos e evidências de “graves violações dos direitos humanos”. De acordo com a carta, o ministro “abusou de sua posição ao autorizar prisões preventivas injustificadas e comprometer a liberdade de expressão”. O órgão também o acusa de promover “uma iniciativa direcionada e politicamente motivada para silenciar críticos políticos”, por meio de ordens secretas que obrigavam plataformas digitais, inclusive empresas americanas de redes sociais, a banir contas de pessoas que publicavam manifestações protegidas pela liberdade de expressão.

Essas são afirmações do governo americano, e a reportagem de origem não traz resposta de Moraes a elas. O nome do ministro foi retirado da lista de sancionados pela Lei Magnitsky em dezembro de 2025.

PCC e Comando Vermelho

A carta também defende a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Para o governo Trump, as facções são altamente violentas e responsáveis por ataques a autoridades e a civis brasileiros. O documento afirma ainda que as atividades dos dois grupos já representam uma ameaça aos Estados Unidos e à segurança regional.

“As medidas do Departamento reforçam o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”, diz o órgão.

Por que importa

A carta chega a nove dias do segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro. Ela reúne, no mesmo documento, o compromisso de respeitar o resultado das urnas e a defesa das sanções a Moraes e da classificação das facções como terroristas. Parlamentares democratas vinham cobrando da Casa Branca, desde setembro, garantias de que o resultado será aceito.

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