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Guerra na Ucrânia

Zelensky chama postura da Rússia de 'paródia' e critica acordo do diesel de Trump

Em Bruxelas, líder ucraniano diz que Putin não quer negociar; em Moscou, Putin afirma que a zona de segurança na fronteira ficará fora de conversas de paz

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Volodymyr Zelensky, de roupa preta, sentado numa poltrona com um microfone na mão, diante de uma parede de madeira com prateleirasVladimir Putin, de terno escuro, atravessa a pé um salão do Kremlin de piso de madeira, com a bandeira russa ao fundo
Foto de arquivo: Volodymyr Zelensky (à esquerda), em Nova York, em setembro de 2026, e Vladimir Putin, no Kremlin, em janeiro de 2026Fotos: Xuthoria (à esq.) e Kremlin.ru (à dir.)

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou nesta sexta-feira (16) o acordo sobre diesel fechado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a Rússia, e classificou a postura do governo russo como uma “paródia” das negociações de paz. As declarações foram dadas em Bruxelas, durante uma cúpula da União Europeia. No mesmo dia, em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia está criando uma “zona de segurança” dentro da Ucrânia que não entrará em futuras negociações.

O que disse Zelensky

Ao chegar à cúpula, Zelensky chamou os demais presidentes e chefes de governo presentes de “verdadeiros líderes” e saudou a perspectiva de os aliados europeus assumirem um papel mais ativo nas conversas. Afirmou que a Rússia não quer a paz e que Putin “não quer negociações de paz no momento, sob nenhuma forma”.

“Ele está brincando com as palavras, alegando que eles respondem… Muito simplesmente, parece uma paródia de um desejo genuíno de acabar com a guerra”, disse.

Sobre o acordo do diesel, o ucraniano afirmou que ele “nunca será suficiente” para compensar o impacto do Estreito de Ormuz nos mercados globais, mas colocará mais dinheiro “diretamente no bolso de Putin para financiar essa guerra”. Segundo ele, é possível ver como o dinheiro começará a voltar para a Rússia por meio do acordo.

Zelensky também disse que a Ucrânia ainda enfrenta interrupções no sistema de satélites Starshield, da SpaceX, usado em operações no campo de batalha e para derrubar drones russos que atacam cidades distantes da linha de frente.

Questionado numa entrevista coletiva se se sentia usado por Trump como bode expiatório para os preços elevados da energia e para os rumos da guerra que envolve o Irã, Zelensky fez uma longa pausa, sorriu e respondeu: “esta é a minha resposta”, o que provocou risos na sala.

O pano de fundo: Trump e a energia

No fim de semana passado, Trump anunciou que Ucrânia e Rússia haviam concordado em não atacar as instalações de energia uma da outra, o que pegou Zelensky de surpresa. Com a proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Trump atribui a alta nos preços da energia, que pode lhe custar votos, aos ataques ucranianos a refinarias russas, que chamou de “vergonha”. O acordo sobre o diesel com os russos irritou a Ucrânia e os aliados europeus.

A “zona de segurança” de Putin

Em declarações transmitidas pela televisão, durante visita a um posto de comando e vestindo uniforme militar, Putin disse que as Forças Armadas russas receberam a missão não só de expulsar o inimigo do território russo, mas de estabelecer uma zona de segurança na área vizinha. “Essa tarefa está sendo cumprida com sucesso”, afirmou.

Segundo Putin, o objetivo é garantir a “segurança absoluta” das regiões fronteiriças da Rússia, e o governo não pretende incluir esse ponto em eventuais negociações de paz. Ele disse que a operação responde à incursão ucraniana na região russa de Kursk, entre 2024 e 2025.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, informou que a zona planejada tem 660 quilômetros de extensão, dos quais 70% já estão sob controle russo.

Ataques e preocupação na Europa

A UE recebe Zelensky num dos momentos mais difíceis da guerra, com mísseis e drones atingindo cidades ucranianas e o temor de que os EUA retirem o compartilhamento de inteligência e o apoio com armas a Kiev. Ataques de drones russos a Kharkiv mataram três pessoas, e outros ataques deixaram centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica.

O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, disse em entrevista que a UE provavelmente terá de conceder um novo empréstimo à Ucrânia para cobrir o déficit orçamentário do próximo ano. “O inverno passado já foi um inferno; este será, mais uma vez, como um inferno”, afirmou.

O que vem a seguir

Putin diz que a faixa na fronteira não está em discussão, e Zelensky afirma que o líder russo não quer negociar. Enquanto isso, a Europa discute como preencher o buraco no orçamento ucraniano.

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