Polícia Civil afasta cinco por suspeita de regalias a Milton Leite em Mogi
Entre os afastados há três delegados e um carcereiro com R$ 155 mil em casa; defesa do ex-vereador nega tratamento diferenciado.

A Polícia Civil de São Paulo afastou neste sábado (17) cinco servidores ligados à cadeia pública e ao 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde está preso o ex-vereador Milton Leite (União). Eles são suspeitos de dar tratamento diferenciado ao político. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), três delegados, um investigador e um carcereiro deixaram as funções depois de prestar depoimento à Corregedoria da corporação.
A decisão veio um dia depois de uma operação do Ministério Público de São Paulo, com a Corregedoria, nas instalações da cadeia. Na sexta-feira (16), promotores do Gaeco (grupo do MP que combate o crime organizado) cumpriram mandados de busca na unidade, no distrito policial e na casa de um carcereiro. O servidor, cujo nome não foi divulgado, tinha em seu poder R$ 155 mil em espécie e aproximadamente US$ 10 mil (R$ 50,7 mil). Dois celulares também foram achados na cela de Leite.
O que dizem a SSP e o Ministério Público
Em nota, a SSP informou que o afastamento garante a continuidade das apurações sem risco de interferência. Também anunciou um inquérito policial e um procedimento disciplinar, “sem prejuízo da tomada de novas medidas que se façam necessárias”. A Corregedoria Geral da Polícia Civil, de acordo com a pasta, apoiou a ação do MP e determinou correições na cadeia pública e no 1º DP para checar rotinas administrativas e operacionais.
O Ministério Público afirmou que a investigação trata de suposto tratamento privilegiado a presos provisórios da unidade. Segundo a nota, haveria “um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar”, além de outras regalias incompatíveis com o cárcere. A Promotoria avalia que os fatos podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação.
A versão da delegada e da defesa
Uma das afastadas é a delegada seccional de Mogi das Cruzes. Ela disse estar com a consciência tranquila e confiar que a verdade será esclarecida. Afirmou também que estava de férias, por ter passado por duas cirurgias, quando o juiz corregedor fez uma inspeção na unidade, e que um aparelho de televisão e as marmitas teriam sido autorizados por ele naquela ocasião. Os advogados dos outros quatro afastados não foram localizados.
A defesa de Milton Leite, em nota divulgada no sábado, declarou que ele “não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado” e que cumpre as mesmas regras e rotinas dos demais custodiados. Os advogados disseram ainda que não tiveram acesso à investigação do MP e que o ex-vereador está à disposição para colaborar.
Por que ele está preso
Leite foi preso em setembro, na operação Vectura Corrupta, que apura a entrada do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de ônibus da cidade de São Paulo. Para os investigadores, ele seria o dono de fato da Transwolff, que administrou linhas de ônibus na capital por anos até a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) encerrar o contrato, sob suspeita de elo com a facção. O ex-vereador nega qualquer crime.
O pedido de prisão se apoiou em duas circunstâncias em que o nome dele foi citado por terceiros: um áudio encontrado em celular apreendido e depoimentos de policiais à Corregedoria da Polícia Militar. Ao todo, a ordem judicial de setembro mirou 16 pessoas com mandados de prisão e liberou buscas em 18 endereços.
O que vem agora
A análise completa dependerá dos documentos recolhidos pela Promotoria na operação de sexta-feira, que devem ser repassados à Corregedoria nos próximos dias. Os cinco policiais afastados prestaram depoimento neste sábado. Todos seguem sem condenação, e a SSP diz que novas medidas podem ser tomadas conforme a apuração avançar.
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