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Guerra no Oriente Médio

Irã diz que dois petroleiros bateram em minas no Estreito de Ormuz

Guarda Revolucionária afirma que cada navio levava cerca de 2 milhões de barris; não há confirmação independente.

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Petroleiro de casco vermelho em mar calmo no Estreito de Ormuz, com outros navios ao fundo na neblina
Foto de arquivo: Petroleiro navega no Estreito de Ormuz, perto de Fujairah (Emirados Árabes Unidos)Foto: Michael Gaylard (CC BY 2.0)

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã informou, neste sábado (17), que dois petroleiros pegaram fogo depois de atingir minas navais quando cruzavam o Estreito de Ormuz. A versão foi divulgada pela agência estatal iraniana Irna e repetida pela Reuters. Não há confirmação independente do episódio.

Segundo a Irna, cada um dos navios levava cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto. A agência afirma que as duas embarcações tinham desligado o sistema de posicionamento e o radar e tentaram passar por uma rota que o Irã não autorizou. De acordo com o relato iraniano, o segundo petroleiro ficou parado depois de bater em uma mina; antes disso, a mídia estatal já havia dito que o primeiro também colidira com um artefato ao seguir por esse trajeto.

Um canal sob tensão

O Estreito de Ormuz é uma das passagens mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, e a navegação por ali vem sendo interrompida por causa da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Segundo a Reuters, essas interrupções empurraram para cima os preços globais de energia e a inflação.

Na quarta-feira (14), autoridades marítimas relataram que um navio porta-contêineres e um graneleiro afundaram perto do estreito depois de serem atingidos por projéteis, em ocorrências separadas. Os ataques na região do canal ficaram mais frequentes nas últimas duas semanas. O Irã diz que está intensificando as ações em resposta ao bloqueio dos Estados Unidos aos seus portos e às sanções mais duras impostas no mês passado.

Duas versões para o mesmo trecho

O relato deste sábado segue um padrão já visto nos últimos dias: do lado iraniano, os incidentes são atribuídos a minas e ao uso de rotas que Teerã não liberou; do lado das autoridades marítimas, os naufrágios de quarta-feira foram associados a projéteis. A diferença importa, porque uma explicação aponta para o risco de quem desobedece às regras impostas pelo Irã na passagem, e a outra, para ataques diretos contra navios comerciais.

No caso dos dois petroleiros, a Irna não informou o nome das embarcações, a bandeira que usavam, a empresa responsável pela carga nem a situação das tripulações. Também não detalhou o ponto exato do estreito em que as colisões teriam ocorrido.

O que observar

O que torna o caso de sábado delicado é a origem da informação: todos os detalhes, inclusive a carga de 2 milhões de barris por navio e o desligamento dos sistemas de localização, vieram de órgãos estatais iranianos. Até a divulgação do despacho da Reuters, as informações iranianas não tinham confirmação independente.

Se confirmados, os dois incidentes somam um volume perto de 4 milhões de barris de petróleo bruto atingidos em uma única rota. Uma nova interrupção no estreito, mesmo que parcial, costuma ser acompanhada de perto por governos e compradores de energia, porque mexe com combustíveis, fretes e inflação em países distantes da região.

O Fato em Dia acompanha o assunto e atualiza esta matéria quando houver confirmação por fonte independente ou posicionamento dos governos envolvidos.

Correção: a versão anterior trazia detalhes sobre o naufrágio do porta-contêineres GFS Pride (carga de iPhones encontrada no mar, vídeos, hipótese de ataque com drone e dados da OMI) que não tinham confirmação; o trecho foi retirado, às 16h40.

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