Pular para o conteúdo
Conflito no Oriente Médio

Colonos israelenses atacam diplomatas europeus e prefeito francês na Cisjordânia

Bélgica diz que seu cônsul e diplomatas da França e da Polônia foram alvo em Taybeh; Netanyahu pede cautela antes de conclusões.

WhatsApp Telegram Facebook X
Maxime Prévot, de terno azul-marinho e gravata rosa, fala sentado a uma mesa de reunião, diante de um interlocutor de costas
Foto de arquivo: O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime PrévotFoto: Konrad Laskowski/MFA da Polônia (CC BY 3.0 PL)

Um grupo de colonos israelenses mascarados atacou neste sábado (17) diplomatas europeus, religiosos católicos, um prefeito francês e agricultores palestinos em Taybeh, vilarejo cristão na Cisjordânia ocupada. A denúncia partiu do vice-primeiro-ministro e chanceler da Bélgica, Maxime Prévot, que relatou o episódio numa publicação na rede X no fim da manhã, pelo horário de Brasília.

Segundo Prévot, entre os alvos estavam o cônsul-geral belga em Jerusalém, diplomatas da França e da Polônia e representantes da Igreja Católica. Um veículo da missão belga foi danificado e o prefeito francês foi agredido. O ministro afirmou que a equipe da Bélgica está em segurança.

O que a Bélgica cobrou

Na mesma mensagem, Prévot ligou o ataque ao que chamou de política “ilegal” de assentamentos de Israel e disse que o país vai continuar defendendo novas sanções da União Europeia contra colonos violentos. “Como potência ocupante, as autoridades israelenses devem proteger os palestinos, garantir a segurança de diplomatas e jornalistas e levar os responsáveis à justiça. A impunidade dos colonos violentos deve acabar”, escreveu.

O prefeito atingido é Bernard Baudoux, que comanda Aulnoye-Aymeries, cidade do norte da França. Ele estava em Taybeh para ajudar na colheita de azeitonas, em gesto de apoio aos moradores, e usava a faixa tricolor do cargo. Baudoux contou que levou chutes, foi golpeado com barras de ferro e derrubado, mas que não teve ferimentos graves. “Fui jogado no chão”, disse. O arcebispo de Cambrai, Vincent Dollmann, integrava a comitiva.

A resposta de Israel

O Exército israelense confirmou o ataque e o classificou como um “grave ato de violência”, mas ressaltou que a visita não havia sido combinada com os militares e que não havia soldados no local. A polícia abriu investigação a partir de vídeos que circulam nas redes e diz buscar as vítimas e os autores.

O chanceler Gideon Saar condenou a ação, a que se referiu como obra de “arruaceiros israelenses”, e informou que o ministério está em contato com os embaixadores dos países envolvidos. Ele também avaliou que uma coordenação prévia com as forças armadas teria ajudado a proteger os visitantes.

Já o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em nota divulgada à tarde, disse que qualquer violência contra diplomatas é inaceitável, mas pediu cautela antes de conclusões. “Quanto mais grave a acusação, maior a exigência de provas convincentes”, afirmou o texto, que mencionou preocupação com uma “campanha coordenada” para manchar a imagem de Israel durante a colheita. A nota lembrou ainda que Baudoux já hasteou a bandeira palestina na prefeitura de sua cidade.

Polônia e palestinos

O Ministério das Relações Exteriores da Polônia disse que seus representantes não se feriram e que, pelas informações disponíveis até agora, nada indica que o grupo polonês tenha sido o alvo específico. Segundo a pasta, dados preliminares apontam colonos israelenses como possíveis responsáveis, e o governo polonês se declarou “profundamente indignado”.

Do lado palestino, o vice-presidente Hussein al-Sheikh afirmou que o episódio é uma pequena amostra do “terrorismo cotidiano” vivido pela população. Em Israel, o principal adversário de Netanyahu nas eleições marcadas para daqui a menos de duas semanas, Gadi Eisenkot, chamou o caso de “terror judaico”.

Colheita sob ataque

A agressão veio um dia depois de colonos mascarados espancarem a fotojornalista americana Heidi Levine, do jornal Washington Post, enquanto ela registrava a colheita de azeitonas em outra localidade da Cisjordânia. Ela foi hospitalizada.

Desde o começo da safra deste ano, pelo menos quatro pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas em ataques, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. A ONU e boa parte da comunidade internacional consideram ilegais os assentamentos israelenses na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde a guerra de 1967.

Publicação oficial no X

CisjordâniaIsraelColonos israelensesBenjamin NetanyahuBélgicaViolência de colonos na Cisjordânia

Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.

Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Últimas de Mundo

Ver tudo