Pular para o conteúdo

Zelensky defende congelar a frente de guerra e cobra lugar na mesa de negociação

Em entrevista à Fox News, ucraniano pede garantias de segurança; enviado de Trump, Steve Witkoff, se reunia com Putin na Rússia.

WhatsApp Facebook X Telegram
Volodymyr Zelensky, de roupa preta, aperta a mão de uma mulher de terninho azul-royal diante de dois cartazes coloridos
Foto de arquivo: Zelensky cumprimenta a primeira-ministra do Japão em encontro à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova YorkFoto: Secretariado do Gabinete do Japão (CC BY 4.0)

Resumo

  • Zelensky propõe parar os combates nas linhas atuais como primeiro passo para um cessar-fogo.
  • Ele exige que a Ucrânia participe de qualquer negociação e que haja garantias de segurança de aliados.
  • O enviado americano Steve Witkoff se reunia com Putin em São Petersburgo no mesmo dia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, defendeu nesta quarta-feira (21) que a frente de batalha seja “congelada” como primeiro passo para encerrar a guerra com a Rússia. A proposta foi apresentada em entrevista à Fox News, a emissora americana, e chega no mesmo dia em que um enviado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa com Vladimir Putin em território russo.

Perguntado se aceitaria um acordo de paz que deixasse as tropas nas posições em que estão hoje, Zelensky respondeu que é nesse ponto que tudo precisa começar. “Neste momento, precisamos congelar, e acredito que essa seja a maneira de encerrar esta guerra. Chamamos isso de cessar-fogo… congelar e parar”, afirmou.

Um lugar na mesa

O ucraniano aproveitou para marcar posição sobre quem deve sentar para negociar. Segundo ele, Kiev está aberta a conversar “em qualquer formato, sobre qualquer tema”, mas não aceita que decisões sobre o país sejam tomadas sem a presença dos ucranianos. “Não falem sobre nós sem a nossa presença, por favor”, pediu.

Zelensky também defendeu que qualquer entendimento inclua garantias de segurança dadas por parceiros internacionais, entre eles os Estados Unidos e países europeus. Na avaliação dele, só assim a população deixaria de viver com o receio de nova ocupação. “Isso permitiria que os ucranianos não tivessem medo de que a ocupação retorne, de que a agressão retorne, de que os assassinatos retornem”, disse.

Witkoff em São Petersburgo

A entrevista foi dada enquanto o enviado americano Steve Witkoff se reunia com Putin em São Petersburgo para tratar da guerra. No mesmo dia, Moscou anunciou que em breve embarcará diesel com destino aos Estados Unidos, como parte de um acordo com Trump, e que libertou um cidadão americano preso no país desde o início do conflito.

O acordo do diesel já vinha sendo alvo de críticas de Kiev e de líderes europeus. Na sexta-feira (16), em Bruxelas, Zelensky disse que o entendimento “nunca será suficiente” para compensar os efeitos do Estreito de Ormuz sobre os preços da energia e que o dinheiro iria “diretamente para o bolso de Putin” para financiar a guerra. No fim de semana anterior, Trump havia anunciado que Ucrânia e Rússia concordaram em não atacar as instalações de energia uma da outra, o que pegou Zelensky de surpresa.

O presidente ucraniano também falou sobre os serviços de satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk. Segundo ele, tanto o Starshield, versão usada em operações militares, quanto o Starlink, a internet por satélite, “continuam limitados”. Dias antes, Kiev tinha acusado Washington de reduzir de propósito a velocidade do Starshield.

Na terça-feira (20), o jornal americano The Wall Street Journal publicou que o próprio Musk mandou reduzir o Starshield. O empresário havia dito antes que qualquer restrição teria sido decidida por Trump, e o presidente americano negou ter dado essa ordem. Zelensky contou que o secretário de Estado, Marco Rubio, prometeu trabalhar com a equipe dele para resolver o problema. “O secretário me disse que trabalhará com sua equipe para resolver a situação”, declarou.

O que muda daqui para frente

A fala de Zelensky reforça a ideia de parar a guerra onde ela está e só depois discutir os termos finais, que ele já havia defendido em junho. Na semana passada, Putin disse que a Rússia cria uma “zona de segurança” dentro do território ucraniano.

Segundo o Kremlin, as ideias apresentadas por Witkoff são vagas. Os próximos passos devem indicar se Moscou aceita discutir o congelamento da frente ou se mantém as exigências anteriores. A Ucrânia, por ora, insiste em ter assento garantido em qualquer rodada e em obter respaldo militar dos aliados como condição para um cessar-fogo duradouro.

Guerra na UcrâniaZelenskyCessar-fogoStarlinkSteve WitkoffDonald Trump

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Mundo

Ver tudo