Pular para o conteúdo

Rubio diz que acesso da Ucrânia ao Starlink é decisão de Musk, não da Casa Branca

Jornal diz que Musk mandou reduzir a velocidade do Starlink militar; secretário de Estado fala em contrato privado e muda o discurso dos EUA.

WhatsApp Facebook X Telegram
Elon Musk, de terno preto e camisa branca, olha para a frente com um microfone de lapela preso ao paletó
Foto de arquivo: O empresário Elon Musk, dono da SpaceX, controladora do StarlinkFoto: Trevor Cokley/Força Aérea dos EUA

Resumo

  • Rubio diz que decidir o acesso da Ucrânia ao Starlink cabe à SpaceX e a Musk, e não à Casa Branca.
  • O Wall Street Journal afirma que Musk mandou reduzir a velocidade da versão militar do serviço.
  • Zelensky e fontes americanas dizem que a decisão partiu da Casa Branca; o governo nega.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira (21) que quem define até onde vai a conexão da Ucrânia com o Starlink é a SpaceX, de Elon Musk, e que a Casa Branca não tem voz nisso. A fala, feita a jornalistas durante visita à Índia, destoa do que o governo americano repetia desde a semana passada: que ninguém havia mandado diminuir a velocidade do serviço usado pelo Exército ucraniano.

Segundo Rubio, o assunto é regido por “um contrato comercial privado” sobre como os equipamentos podem ser usados e em quais velocidades. “Não tenho conhecimento de que soubéssemos dessa decisão com antecedência. Mas isso é irrelevante”, disse.

O que o jornal publicou

A fala do secretário veio um dia depois de o Wall Street Journal publicar, na terça-feira (20), que foi Musk quem mandou limitar a velocidade de uma variante militar do Starlink, vital para a defesa ucraniana diante dos mísseis e drones russos. De acordo com o jornal, uma fonte contou que Musk, o presidente Donald Trump e integrantes do governo discutiram o tema antes da mudança, e duas fontes disseram que Musk e Trump voltaram a conversar sobre o assunto nos dias seguintes à redução.

Procurados, a SpaceX e Musk não comentaram o caso.

Versões que não batem

O episódio já vinha rendendo versões conflitantes. Autoridades ucranianas relataram que a SpaceX limitou, sem aviso, o desempenho do Starshield, a variante militar do serviço, entre 13 e 14 de outubro, e que terminais em veículos e drones perderam a conexão. O presidente Volodymyr Zelensky disse que a queda de velocidade fez o país deixar de derrubar alguns dos drones Shahed a jato lançados pela Rússia, e que a limitação parecia deliberada. A história está no relato anterior do site.

Duas autoridades americanas e uma ocidental ouvidas pela agência Reuters afirmaram que a decisão partiu, em última instância, da Casa Branca. Zelensky fez a mesma afirmação, que o governo americano nega. Trump afirmou em público que, na sua avaliação, nem ele nem Musk tiveram relação com a lentidão.

Ao embarcar para o Uzbequistão e a Índia, no sábado (17), Rubio havia dito que ninguém ordenou a redução. “Não temos nada a ver com isso. Os Estados Unidos, ninguém ordenou que a velocidade do Starlink fosse reduzida. Aconteceu de certa forma, mas, pelo que entendi, já foi restaurada”, declarou na ocasião. Ele também disse não ter certeza de que Zelensky soubesse do que estava falando e afirmou que a limitação não foi deliberada. A afirmação foi criticada por parlamentares dos dois partidos.

O que muda

Ao atribuir a escolha a uma empresa privada, Rubio muda o que o governo americano vinha dizendo desde a semana passada. Na quarta-feira (14), em publicação no X, o próprio Musk havia escrito que os sistemas Starshield pertencem ao governo dos Estados Unidos e que qualquer limite de velocidade é decidido pelo Exército americano e, em última instância, pelo presidente.

Para a Ucrânia, o ponto prático é a dependência: os militares usam o Starlink e o Starshield para comunicação, para o uso de drones e para a defesa aérea das cidades. Se o acesso depende de um contrato comercial com uma empresa privada, o país fica sujeito a cortes ou reduções sem aviso, como o de 13 e 14 de outubro. A Alemanha, que financia parte dessa infraestrutura, já havia cobrado a suspensão imediata das restrições, e o vice-primeiro-ministro da Polônia, país que paga parte dos serviços usados pelos ucranianos, criticou Musk.

Ainda não há confirmação oficial de quem deu a ordem de reduzir a velocidade, nem de quando a conexão na linha de frente voltará ao nível anterior. A SpaceX não se manifestou.

StarlinkElon MuskSpaceXGuerra na UcrâniaMarco RubioDonald TrumpStarlink na Ucrânia

Siga o Fato em Dia YouTube Instagram TikTok

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Mundo

Ver tudo