Trump diz que a América do Sul "prospera" ao virar à direita e não cita o Brasil
No Salão Oval, presidente dos EUA elogia a guinada conservadora da região e cita só a Colômbia; governo evita opinar sobre o 2º turno.

Resumo
- Trump disse que a América do Sul está "prosperando" depois de um período "pendendo fortemente à esquerda".
- O presidente americano citou o colombiano Abelardo de La Espriella, mas não mencionou o Brasil.
- O governo dos EUA tem evitado declarar apoio a candidato no 2º turno brasileiro, no domingo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20) que os países da América do Sul estão se tornando “extremamente conservadores”, e que isso tem sido positivo para a região. A declaração foi dada no Salão Oval da Casa Branca, durante um encontro com jornalistas, e não incluiu nenhuma menção ao Brasil, que escolhe o presidente no segundo turno deste domingo.
O que Trump disse
“A América do Sul está se tornando um lugar completamente diferente e prosperando”, disse o republicano. Em outro trecho, ele afirmou: “Se vocês observarem o que está acontecendo na América do Sul, não vão acreditar. Em um curto período, os países estão se tornando extremamente conservadores, de uma maneira muito positiva, em muitos aspectos.”
Trump descreveu a mudança como uma virada depois de um período “pendendo fortemente à esquerda”. Segundo ele, todos os candidatos que apoiou foram eleitos.
A fala veio como resposta a uma pergunta sobre a França: um repórter quis saber se ele apoiaria Marine Le Pen, candidata da direita naquele país. Trump não respondeu diretamente e desviou para a América do Sul, lembrando a vitória de aliados na região.
Colômbia, Chile e Peru
O único líder que Trump citou pelo nome foi Abelardo de La Espriella, o novo presidente da Colômbia. “Vocês sabem que o chamam de El Tigre por um motivo, certo? Porque ele é durão. Sempre foi um grande apoiador meu. Eu não o conhecia, mas gostei dele”, afirmou.
Outros políticos próximos ao governo americano também ganharam eleições no Chile e no Peru. Na conversa, porém, Trump não detalhou esses casos nem mencionou mais nenhum país da região, o Brasil inclusive.
A cautela americana sobre o Brasil
O governo dos Estados Unidos tem sido cuidadoso ao comentar a eleição brasileira. Membros da administração têm evitado se posicionar a favor do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
Em 1º de outubro, antes do primeiro turno, Trump havia dito que a eleição no Brasil é “muito importante” e que acompanhava o andamento de perto. “O Brasil é um país muito importante, um grande país, as pessoas no Brasil são fantásticas, é uma eleição muito importante”, declarou na ocasião. O secretário de Estado, Marco Rubio, fez uma afirmação parecida depois dos resultados do primeiro turno.
Diante de acusações de interferência no pleito, o Departamento de Estado, comandado por Rubio, respondeu que apoia “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”. A resposta foi dada a uma carta de congressistas americanos, de 24 de setembro, em que eles questionavam, por exemplo, se o país reconheceria o resultado da votação presidencial brasileira.
Na carta de resposta, assinada pela secretária-assistente do Departamento de Assuntos Legislativos, Katherine Bowles, o governo americano afirmou que continuará interagindo “com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”.
O que esperar
O Brasil vai às urnas no domingo (25), e as pesquisas mais recentes indicam uma disputa apertada entre Flávio e Lula. Em 1º de outubro e na fala desta terça, Trump falou do Brasil de forma genérica ou nem falou, e o tom do governo americano até aqui é de cautela: elogios à relação entre os países e a defesa de eleição “livre e justa”, sem apoio declarado a nenhum dos dois candidatos.
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