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Guerra na Ucrânia

Ucrânia ataca terminal de petróleo em São Petersburgo e contraria pedido de Trump

Kiev faz uma das maiores ofensivas de drones do ano; Moscou diz ter abatido 1.015 aparelhos, e Zelensky cita 76 ataques russos à energia.

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Volodymyr Zelensky, de roupa preta, aperta a mão de uma mulher de terninho azul-royal diante de dois cartazes coloridos
Foto de arquivo: Volodymyr Zelensky cumprimenta a primeira-ministra do Japão em encontro na ONUFoto: Secretariado do Gabinete do Japão (CC BY 4.0)

Enquanto Washington pede calma no setor de energia, a Ucrânia mandou uma grande leva de drones contra a Rússia na noite de sábado (17). O principal alvo foi o terminal de petróleo de São Petersburgo, no extremo noroeste do país. Foi uma das maiores investidas aéreas de Kiev em 2026, e ela expõe o desgaste na relação entre o governo ucraniano e o de Donald Trump.

O que se sabe sobre o ataque

Moscou diz que seus sistemas de defesa destruíram 1.015 drones ucranianos da noite de sábado até a manhã de domingo (18), espalhados por diferentes regiões. Pelas autoridades russas, o terminal atingido em São Petersburgo consegue movimentar até 12,5 milhões de toneladas de petróleo por ano.

Quem produz os drones, a empresa ucraniana Fire Point, afirmou que as instalações pegaram fogo depois da ofensiva. Outro ponto da cidade, um centro de logística da distribuidora russa Ozon, também foi atingido. As autoridades locais registraram uma morte, cinco feridos e estragos em residências.

O pedido de Trump e a resposta de Kiev

Uma semana atrás, Trump disse que russos e ucranianos tinham combinado deixar de bombardear a infraestrutura de energia do adversário. Nenhum dos dois governos confirmou esse entendimento. Do lado americano, a Casa Branca quer evitar a alta do petróleo e do diesel antes das eleições legislativas de meio de mandato.

Nos dias seguintes, o presidente dos EUA classificou como “vergonha” as investidas ucranianas contra refinarias russas. Kiev suspendeu esses ataques por um curto período e depois voltou a executá-los. Moscou nunca chegou a parar de atingir instalações de energia e cidades da Ucrânia.

O clima entre Volodymyr Zelensky e Trump piorou ao longo da semana. Na sexta-feira (16), o líder ucraniano atacou o acordo do diesel que o americano fechou com a Rússia e descreveu a atitude de Moscou na negociação de paz como “paródia”. No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva suspendendo sanções e tarifas previstas contra quem compra petróleo russo. Em Kiev, há receio de perder um apoio essencial com a chegada de mais um inverno de bombardeios.

O lado russo da ofensiva

Pelas contas das autoridades ucranianas, o último dia de ataques russos com mísseis e drones terminou com 11 mortos e cerca de 50 feridos pelo país. Um dos golpes mais pesados foi dirigido a estruturas de energia da região de Odessa.

Zelensky usou o X neste domingo para dizer que, desde o anúncio da trégua energética por Trump, a Rússia fez 76 ataques intencionais contra o setor de energia, petróleo e gás ucraniano. Na noite de sábado, subestações das regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Khmelnytskyi e Odessa foram bombardeadas. “Dezenas de milhares de famílias continuam sem luz”, escreveu. Ele contou que as equipes de manutenção trabalham praticamente sem descanso para religar a eletricidade, e que 12 pessoas haviam sido registradas como feridas até aquele momento, com prédios de moradia também atingidos.

O que ainda não está confirmado

A trégua citada por Trump não foi confirmada por Kiev nem por Moscou, e nenhuma fonte independente apontou até agora a dimensão dos danos em São Petersburgo. A quantidade de drones derrubados vem do próprio Ministério da Defesa russo, e os balanços de mortos e feridos partem das autoridades de cada país.

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