Netanyahu recebe Hegseth em base no Neguev e promete acabar com o regime do Irã
O chefe do Pentágono fez visita não anunciada a Israel; o premiê disse ter falado com Trump sobre o Irã na véspera.
Resumo
- Pete Hegseth se reuniu com Netanyahu na base aérea de Uvda, no Neguev, na segunda-feira (19)
- Segundo o porta-voz Doron Spielman, os EUA têm milhares de militares em Israel
- Israel vota em 27 de outubro; Trump diz que não ataca o Irã antes das eleições de novembro
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recebeu o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, numa visita que não constava da agenda oficial, e voltou a dizer que o objetivo do país é derrubar o governo do Irã. O encontro foi na segunda-feira (19), na base aérea de Uvda, no deserto do Neguev, no sul israelense.
“Estamos comprometidos em concluir a eliminação do regime iraniano”, afirmou Netanyahu em comunicado do gabinete. “Discuti isso com Trump muitas vezes, inclusive ontem”, acrescentou, referindo-se a uma conversa com o presidente americano, Donald Trump.
O que os dois discutiram
Segundo três autoridades israelenses, o Irã esteve na pauta da conversa. O porta-voz do primeiro-ministro, Doron Spielman, confirmou depois a reunião e disse que os dois trataram das “ameaças na região” e da cooperação militar entre os dois países para enfrentá-las, tanto no ataque quanto na defesa.
Segundo Spielman, Hegseth agradeceu a Israel por abrigar as tropas americanas instaladas no país, que já somam milhares de militares, e falou sobre o apoio de Trump ao premiê. “Existe uma relação pessoal profunda aqui, que esteve no centro dessa discussão”, disse o porta-voz.
O próprio Hegseth publicou no X, mais cedo, que tinha visitado soldados americanos na região sob o Comando Central americano, que vai do Oriente Médio a trechos da África e da Ásia. Ele não disse em que país esteve. O Pentágono não comentou publicamente a visita.
“Estamos comprometidos em concluir a eliminação do regime iraniano”
Guerra, Ormuz e eleições
A visita acontece num momento de tensão crescente entre Washington e Teerã por causa do Estreito de Ormuz, rota de boa parte do petróleo do mundo, e da escalada de ofensivas dos houthis iemenitas, apoiados por Teerã, contra o território saudita.
No fim de fevereiro, forças dos Estados Unidos e de Israel atacaram o Irã juntas, o que abriu uma guerra mais ampla na região. Desde então, Israel tem recebido reforço americano, inclusive aviões militares.
Os dois governos, porém, têm calendário eleitoral pela frente. Em entrevistas a veículos de Israel em outubro, Netanyahu afirmou que não planeja nova ofensiva contra os iranianos antes da eleição parlamentar de 27 de outubro, a primeira em Israel desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Trump, por sua vez, afirmou que não vai atacar o país antes das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.
No domingo (18), o presidente americano declarou apoio a Netanyahu na disputa israelense. Já o vice-presidente, JD Vance, evitou tomar partido e disse, na segunda-feira (19), que não vai se envolver na eleição de Israel.
O que acompanhar
Os israelenses vão às urnas na próxima terça-feira (27), e Netanyahu tenta se manter no cargo. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato estão marcadas para novembro.
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