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Macron anuncia proibição de protestos "ilegítimos" e culpa a ultraesquerda

Presidente da França diz que grupos querem "derrubar a República"; sindicatos terão trajetos alternativos antes de nova mobilização no sábado (24).

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Emmanuel Macron, de terno cinza e gravata escura, olha para a frente durante evento
Foto de arquivo: O presidente da França, Emmanuel MacronFoto: Presidência belga do Conselho da UE (CC BY 2.0)

Resumo

  • Macron anunciou que proibirá nos próximos dias ações de protesto consideradas "ilegítimas", após reunião no Eliseu com ministros e serviços de inteligência.
  • Ele atribui a violência de sábado (17) a grupos "sediciosos" de ultraesquerda; manifestações sindicais terão rotas alternativas.
  • Há um novo dia de mobilização no sábado (24), com policiamento em larga escala, blindados e unidades de elite.

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que o governo vai proibir, já nos próximos dias, manifestações e ações de rua que considere “ilegítimas”. A decisão foi tomada depois de uma reunião no Palácio do Eliseu com ministros e com todos os serviços de inteligência do país, motivada pela onda de tumultos que atingiu cidades francesas no sábado (17).

Em um pronunciamento de pouco mais de três minutos, Macron responsabilizou grupos de extrema esquerda pelos saques e pelos atos de vandalismo. “Tivemos, ao mesmo tempo, atos políticos e até sediciosos, conduzidos por grupos organizados de ultraesquerda que querem derrubar a República”, declarou. Ele classificou esses grupos como de “extrema periculosidade” e afirmou que “a mão não deve tremer no topo do Estado”.

O que muda nas ruas

Pelo anúncio, os protestos organizados por estruturas formais, como os sindicatos, continuarão permitidos, mas com trajetos alternativos definidos pelas autoridades. O objetivo declarado do governo é proteger o comércio, alvo principal dos ataques do último fim de semana. O texto da proibição e os critérios para dizer quais ações são “ilegítimas” ainda não foram detalhados.

A medida chega a menos de 48 horas de uma nova mobilização no país, marcada para o sábado (24). Para esse dia, as autoridades prometem um esquema policial de grande porte, com veículos blindados e várias unidades de elite. Na noite de quarta-feira (21), o toque de recolher voltou a ser aplicado em algumas cidades, e pelo menos 174 pessoas já tinham sido detidas.

Como a crise chegou até aqui

Os protestos começaram no mês passado, com um movimento estudantil, e ganharam força com o descontentamento com a alta dos preços e com a queda na qualidade dos serviços públicos. No sábado (17), passaram de 500 mil os participantes das marchas realizadas em dezenas de cidades. Parte dos atos virou tumulto: a prefeitura de Limoges foi incendiada, lojas foram saqueadas e prédios públicos, pichados.

Um manifestante morreu depois de sofrer uma parada cardíaca em Paris. A polícia fez mais de 2 mil prisões em todo o país, e o ministro do Interior, Laurent Nunez, informou que mais de 600 policiais ficaram feridos. Cerca de 3 mil lojas tiveram roubos, furtos ou estragos. A rede de varejo Carrefour contabilizou 50 unidades danificadas, 20 delas saqueadas, com prejuízo na casa das dezenas de milhões de euros.

A reação política

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, pediu aos partidos que escolham “entre a violência e a República” e concentrou as críticas na legenda de extrema esquerda França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon. Ele também prometeu “transparência” sobre as dificuldades que a resposta do governo enfrentou no sábado. O ministro da Economia, Roland Lescure, garantiu apoio aos comerciantes prejudicados e disse que “quem destruir vai pagar”.

Pela oposição, o líder da extrema direita, Jordan Bardella, afirmou que a França foi “humilhada” e cobrou a renúncia de Macron, que deixa o cargo em 2027, depois de uma década no poder marcada por desgaste social, economia fraca e dívida em alta.

Entre os comerciantes, o clima é de apreensão. Pierre Bosche, que preside a Confederação dos Comerciantes da França, disse à agência France-Presse que “a preocupação é máxima” diante do que pode acontecer no próximo sábado. O governo, por sua vez, diz que a palavra de ordem nos corredores do poder em Paris é “firmeza”.

O que observar

Os próximos dias vão mostrar como a proibição será aplicada na prática e quem decidirá o que é um protesto “ilegítimo”. Sindicatos e partidos de esquerda ainda não detalharam como responderão ao anúncio, e a mobilização de sábado será o primeiro teste das novas regras, sob forte presença policial e com a eleição presidencial do ano que vem no horizonte.

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