Nigéria tem 1º caso de Ebola em mais de dez anos; surto já matou 4.646
País mais populoso a ser atingido tem paciente isolada em Abuja; Africa CDC convoca ministros da Saúde para reunião em 28 de outubro.

Resumo
- A Nigéria confirmou o primeiro caso de Ebola em mais de uma década, numa mulher ugandense isolada em Abuja.
- O surto, iniciado no Congo em maio, já matou 4.646 pessoas e atinge quatro países africanos.
- O Africa CDC convocou os ministros da Saúde do continente para uma reunião virtual em 28 de outubro.
A Nigéria confirmou, na terça-feira (20), o primeiro caso de Ebola em mais de dez anos. O país passa a ser o quarto africano atingido por um surto que, segundo autoridades de saúde, tem a propagação mais rápida já documentada, e é também o mais populoso entre eles. A cepa do vírus responsável mata cerca de metade das pessoas infectadas e não tem tratamento nem vacina aprovados. Desde maio, quando surgiram os primeiros casos confirmados no Congo, a doença já causou 4.646 mortes.
O caso em Abuja
A paciente é uma mulher ugandense que desembarcou em Abuja, capital nigeriana, no dia 5 de outubro, num voo vindo de Adis Abeba, na Etiópia. O roteiro foi descrito à emissora Arise TV por Odianosen Ehiakhamen, representante do centro nigeriano de controle de doenças. Dois dias depois da chegada, ela começou a passar mal e, em 11 de outubro, procurou um hospital particular da cidade com sintomas parecidos com os da malária.
Como o quadro não melhorou, os médicos investigaram o histórico recente de viagens e descobriram que ela havia estado em Uganda, um dos países afetados pelo surto. O teste para Ebola foi feito em 19 de outubro, e o resultado positivo saiu na terça. Segundo o ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, em declaração à emissora pública NTA, a mulher está isolada e em tratamento.
Foram mapeadas 44 pessoas que tiveram contato com a paciente, na maior parte profissionais de saúde. O marido, cidadão suíço que vive com ela em Abuja, está nesse grupo. Os passageiros que viajaram no mesmo voo também estão sendo rastreados, embora, segundo as autoridades, não haja indício de que ela tivesse sintomas durante a viagem.
Uganda rebate e Quênia já tem casos
Em nota, o governo de Uganda disse que a mulher tinha passado pelo Congo, onde mais de 9.500 casos foram registrados em oito províncias, e que não está claro em quais locais ela esteve. “O fato de ter passado por Uganda não significa que a infecção tenha ocorrido aqui”, disse a pasta, ao afirmar que o país não tem casos ativos. Uganda teve 20 casos em maio e junho, quase todos importados do Congo, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) o declarou livre da doença em agosto.
Já o Quênia anunciou seu primeiro caso no começo de outubro: um viajante vindo do Congo, com escala em Uganda. Depois disso, o país somou nove casos, todos ligados ao mesmo paciente, o que levantou dúvidas sobre a eficácia da triagem feita nas fronteiras para impedir que o vírus cruze de um país a outro.
A resposta do continente
Nesta quarta-feira (21), Jean Kaseya, que dirige o Africa CDC, centro africano de controle e prevenção de doenças, afirmou no X que o Ebola atinge agora três regiões da África e que a situação exige “ação urgente e liderança política no mais alto nível”. Ele convidou os ministros da Saúde do continente para uma reunião virtual extraordinária no dia 28 de outubro, com o objetivo de reforçar a resposta coletiva ao surto. Para Kaseya, o continente tem “a expertise, as instituições e a capacidade” para vencer a epidemia, e a prioridade é interromper a transmissão e salvar vidas.
Há o receio, entre especialistas em saúde, de que boatos e escassez de verbas facilitem a expansão do vírus, na região e além dela.
Experiência anterior
O ministro Pate lembrou que a Nigéria conseguiu conter o Ebola em 2014, na epidemia da África Ocidental, a maior já registrada, e disse que o país tem os sistemas necessários para responder a esse novo caso.
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