EUA se preparam para mandar parte da equipe de embaixadas no Golfo sair da região
Segundo autoridades americanas, o Departamento de Estado teme retomada da guerra com o Irã; Trump teria barrado ofensiva de Israel antes das eleições.

Resumo
- O Departamento de Estado se prepara para ordenar a saída de parte da equipe de embaixadas no Golfo.
- O temor é uma retomada da guerra com o Irã, com ataques dos houthis, do Iêmen.
- Trump teria barrado um ataque de Israel previsto para 10 de outubro, antes da eleição de 3 de novembro.
Os Estados Unidos se preparam para mandar embora uma parte dos servidores e dos parentes de diplomatas que estão em suas embaixadas nos países do Golfo. Duas autoridades do governo americano contaram o plano nesta quarta-feira (21) à agência Reuters. De acordo com elas, a ordem seria uma resposta à chance de a guerra com o Irã ser retomada.
O risco apontado
A maior preocupação, segundo os dois interlocutores, são os possíveis ataques dos houthis, grupo rebelde do Iêmen alinhado ao Irã. Os Estados Unidos costumam ordenar a saída de pessoal não essencial de postos diplomáticos quando a tensão numa região aumenta. Neste ano, o país tomou uma medida parecida em janeiro, pouco mais de um mês antes de começar o conflito com o governo iraniano.
Movimentações em bases militares e em embaixadas, somadas a alertas de viagem, costumam aparecer nos dias que antecedem uma escalada.
Trump teria barrado ofensiva de Israel
O relato veio no mesmo dia em que outra reportagem, publicada na imprensa britânica, afirmou que o presidente Donald Trump impediu Israel de lançar novos ataques contra o Irã neste mês. Segundo pessoas ouvidas pelo jornal, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressiona por uma retomada dos bombardeios em larga escala.
Ainda conforme a reportagem, Israel havia preparado um plano para atingir a infraestrutura de energia do Irã, o que incluiria instalações nucleares. A ofensiva seria mais pesada que a de fevereiro, quando a guerra começou. A ideia, de acordo com as autoridades ouvidas pelo jornal, era forçar Teerã a fechar um acordo rapidamente. A data prevista para o início era 10 de outubro, mas Washington não deu aval.
O peso das eleições americanas
O motivo da resistência de Trump, de acordo com essa reportagem, é eleitoral: ele quer evitar novos combates antes de 3 de novembro, dia das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. A guerra é impopular entre os americanos e pesou no custo de vida do país.
Na segunda-feira (19), o secretário de Guerra, Pete Hegseth, esteve em Israel e conversou com Netanyahu, numa viagem que o Pentágono não tinha divulgado antes.
Israel vai às urnas em uma semana
O assunto se cruza com a campanha eleitoral israelense. Os israelenses escolhem o Parlamento em 27 de outubro, e Netanyahu busca continuar no cargo. No domingo (18), Trump declarou apoio ao premiê e afirmou que, se Israel escolhesse outro líder, os americanos teriam de fazer o trabalho sozinhos, algo que ele disse não ter intenção de fazer; os detalhes estão na matéria sobre o apoio de Trump a Netanyahu. Já o vice-presidente JD Vance disse que não vai se envolver na eleição israelense, como contamos em Vance evita apoiar Netanyahu.
O que observar
A ordem de saída ainda é um preparativo, e a lista de embaixadas que seriam afetadas não consta no relato. Os próximos passos dependem de a ordem ser de fato assinada e de qualquer sinal de nova ofensiva de Israel contra o Irã antes das votações em Israel e nos Estados Unidos.
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