Pular para o conteúdo
Protestos na França

Louvre fica fechado em Paris por bloqueio de estudantes

Museu não abriu no horário previsto; protesto de alunos da Escola do Louvre coincide com a onda de atos que sacode a França.

WhatsApp Telegram Facebook X
Pátio Napoleão do Museu do Louvre, em Paris, iluminado ao entardecer, com a pirâmide de vidro ao centro e as alas do palácio dos dois lados
Foto de arquivo: Pátio Napoleão e a pirâmide de vidro do Louvre, em ParisFoto: Benh LIEU SONG (CC BY 2.5)

O Museu do Louvre, em Paris, amanheceu fechado nesta segunda-feira (19). A direção do espaço, que é o museu mais visitado do mundo, informou que não conseguiu abrir as portas no horário previsto, às 9h na capital francesa (4h em Brasília), porque a entrada foi bloqueada por um protesto de estudantes. Pouco depois, em comunicado no X, o museu confirmou que está fechado “por enquanto” em razão de um “movimento social estudantil” e pediu desculpas pelo transtorno. Não há data anunciada para a reabertura.

Quem bloqueou o museu

O ato foi organizado por alunos da Escola do Louvre, centro de ensino superior instalado dentro do próprio museu, com cursos que vão da arqueologia à museologia, passando por antropologia e epigrafia. Os manifestantes dizem apoiar o movimento estudantil que toma a França há semanas e querem denunciar o que chamam de “repressão policial”. Em um panfleto distribuído na entrada, o grupo defende “a luta pelo direito de estudar, de trabalhar, de viver livremente em boas condições” e afirma, em tom de comemoração: “Estamos orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo”.

A data não foi escolhida por acaso. A segunda-feira (19) marca um ano do roubo de joias no Louvre, episódio que mergulhou a instituição em uma profunda crise. Na porta, uma fila de turistas se formou diante da famosa pirâmide de vidro. Quem chegou pela manhã recebeu um aviso pedindo que consultasse o site ou os canais de contato do museu para remarcar os ingressos já comprados.

Um país em ebulição

O fechamento do Louvre acontece depois de um fim de semana de forte tensão na França. No sábado (17), os protestos contra o custo de vida e o corte de gastos do governo reuniram mais de meio milhão de pessoas em todo o país. A maior parte dos atos foi pacífica, mas, ao anoitecer, grupos mascarados saquearam lojas e incendiaram prédios. Segundo as autoridades, houve quase 2.400 detenções, e centenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados.

Tudo partiu, em setembro, de uma paralisação de alunos e professores de um liceu da periferia parisiense, que cobravam mais pessoal e mais verbas. As reivindicações foram atendidas, mas o movimento ganhou força e se espalhou por outras cidades. A reação dura da polícia aumentou a indignação, sobretudo depois que circularam vídeos de um policial imobilizando uma garota pelo pescoço, técnica vetada. Com o tempo, a pauta se ampliou e passou a reunir queixas sobre o custo de vida, o desemprego e a desigualdade.

Pressão sobre o governo

Nesta segunda, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de emergência para avaliar a onda de violência. Segundo o Palácio do Eliseu, Laurent Nuñez, titular da pasta do Interior, ofereceu deixar o cargo, mas o presidente Emmanuel Macron pediu que ele ficasse, reforçasse a segurança nas ruas e garantisse que os responsáveis pelos atos violentos sejam levados à Justiça. Nuñez é criticado por adversários e por sindicatos, que o acusam de não ter preparado um efetivo policial suficiente para o sábado. Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional, defende abrir uma investigação sobre o ocorrido.

No domingo à noite, Macron falou à nação pela TV e prometeu: “Quem destruiu terá de pagar. Quem saqueou terá de ressarcir”. O discurso, porém, foi criticado na imprensa francesa por não trazer medidas concretas nem concessões aos manifestantes. Novos atos em massa já foram anunciados para as próximas semanas, a cerca de seis meses da eleição que escolherá o sucessor de Macron.

Publicação oficial no X

FrançaLouvreProtestosParisEstudantesProtestos na França

Receba as notícias do Fato em Dia. Inscreva-se no canal e acompanhe as atualizações.

Direitos autorais: se você é autor de alguma imagem, fale com a gente; trocamos em até 24 h.

Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.

Mais sobre o assunto

Últimas de Mundo

Ver tudo