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Albânia

Premiê da Albânia culpa 'mãos estrangeiras' por protestos que já duram quatro dias

Estudantes pedem a renúncia de Edi Rama em Tirana; atos também miram resort de luxo no litoral ligado a Jared Kushner.

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O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, de barba grisalha e paletó escuro, fala diante de um microfone
O primeiro-ministro da Albânia, Edi RamaFoto: Matti Blume/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, afirmou nesta sexta-feira (16), sem apresentar provas, que “mãos estrangeiras” estão por trás da onda de protestos que toma Tirana, a capital, há quatro dias. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele disse que as manifestações “nada têm a ver” com as lutas da população comum e que tentam barrar a aproximação do país da União Europeia (UE). Os estudantes, que lideram os atos, pedem que ele renuncie.

Os quatro dias de protestos

A mobilização cresceu depois de meses de manifestações em sua maioria pacíficas, que, segundo os estudantes, o governo ignorou. Na quinta-feira (15), os atos viraram tumulto. Manifestantes quebraram janelas e semáforos, atiraram pedras, montaram barricadas, incendiaram um quiosque e invadiram uma agência bancária. A polícia de choque respondeu com gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e canhões de água, e as ruas ficaram com lixeiras queimadas e pontos de ônibus destruídos.

Na sexta, milhares de jovens voltaram a marchar por Tirana. Em frente ao Ministério da Educação, muitos estudantes, de máscara, ficaram diante de fileiras de policiais antidistúrbios. Pequenos comerciantes fecharam as portas. “Estão nos levando ao limite”, disse Enea, de 19 anos, que não deu o sobrenome por medo de ser preso. A mensagem a Rama foi: “Renuncie o mais rápido possível, antes que tudo pegue fogo”. O balanço de feridos e detidos varia entre os veículos; a SIC Notícias, de Portugal, fala em dezenas de feridos e mais de 70 detenções, número que não foi confirmado por fonte oficial nos textos consultados.

O que os manifestantes reclamam

Os estudantes acusam as autoridades de corrupção e de descaso com a educação. O governo nega que exista corrupção. Os atos também reagem à venda de trechos preservados do litoral sul da Albânia para um empreendimento de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foi essa obra que concentrou o protesto ao longo do verão.

A resposta de Rama

Rama, que conquistou um quarto mandato no ano passado prometendo levar a Albânia à UE, quer concluir a adesão ao bloco até 2028. Na quinta, ele rejeitou os pedidos de renúncia. Em nota enviada a uma agência internacional de notícias, disse estar disposto a discutir um aumento das verbas da educação, mas recusou a saída. “Minha responsabilidade é ouvir, tratar de preocupações legítimas e fazer com que a Albânia continue avançando”, afirmou. Para ele, a alternativa “seria uma traição aos albaneses que me deram um mandato sólido para concluir as negociações de adesão à União Europeia”.

Em publicação no Facebook, o premiê escreveu: “Não nos curvaremos à violência”. Na mensagem em vídeo desta sexta, ele ampliou o tom e atribuiu a agitação a forças de fora, sem dizer quais nem apresentar evidências.

O que está em jogo

A Albânia é candidata à adesão à União Europeia e tem em Rama o principal defensor dessa meta. O governo vê nos protestos uma ameaça a esse calendário. Já os estudantes sustentam que a pauta é interna: educação, corrupção e o destino do litoral. A tensão tende a continuar enquanto o premiê mantiver a recusa de deixar o cargo e os manifestantes seguirem nas ruas. Este texto será atualizado se houver novidade sobre o balanço oficial de feridos e presos ou sobre eventual resposta do governo às reivindicações.

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