Luisa González, rival de Noboa, é presa no Equador por suspeita de lavagem
Ex-candidata de esquerda, aliada de Rafael Correa, é investigada no caso Caja Chica, por suposto dinheiro venezuelano na campanha de 2023; ela nega.

Resumo
- A ex-candidata Luisa González foi presa nesta quinta (22) no Equador.
- Ela é investigada desde janeiro no caso Caja Chica, sobre suposta lavagem de dinheiro na campanha de 2023, o que nega.
- Rafael Correa reagiu: "Prenderam Luisa González. Já chega!". O governo ainda não se manifestou.
Luisa González, ex-candidata de esquerda à Presidência do Equador e maior adversária política do presidente Daniel Noboa, foi detida pela polícia do país nesta quinta-feira (22). A prisão foi anunciada inicialmente pelo ex-presidente Rafael Correa e confirmada pelo partido dela, a Revolução Cidadã; a líder da legenda, Gabriela Rivadeneira, também comunicou a detenção. A polícia equatoriana confirmou a detenção em seu canal no WhatsApp, mas não detalhou o motivo.
“Prenderam Luisa González. Já chega!”, escreveu Correa, que governou o país de 2007 a 2017, em publicação nas redes sociais. Até o início da tarde, o governo equatoriano não havia se manifestado sobre a prisão.
A investigação
González é investigada desde janeiro pelo Ministério Público equatoriano no chamado caso Caja Chica, que apura suposta delinquência organizada para lavar dinheiro na campanha presidencial de 2023 da Revolução Cidadã. A suspeita é de que dinheiro vivo vindo da Venezuela tenha financiado a candidatura. Em 28 de janeiro, a casa dela foi revistada na mesma operação que chegou às do ex-candidato Andrés Arauz e de outros nomes do correísmo; na época, ela chamou a ação de perseguição política e negou qualquer financiamento irregular.
Ela já tinha dito que o partido prestou contas da campanha presidencial de 2023 à Justiça eleitoral e que o Ministério Público não dispõe de provas para embasá-las.
Quem é Luisa González
Advogada, González é aliada de Correa e se tornou a principal figura da oposição de esquerda no país. Disputou a Presidência contra Noboa na eleição antecipada de 2023, quando perdeu, e de novo em 2025, quando Noboa venceu o segundo turno e garantiu mandato até 2029. Na ocasião, ela declarou que não reconheceria o resultado.
Depois da derrota, González passou a liderar um movimento de reorganização da esquerda equatoriana e a mobilizar multidões. Ela é mãe solo e maratonista e fez um comício em Quito na sexta-feira (16).
O pano de fundo político
Noboa foi eleito em 15 de outubro de 2023, em eleições antecipadas, realizadas porque o então presidente Guillermo Lasso acionou a “morte cruzada”, que fez renovar Legislativo e Executivo. O pleito ficou marcado pela morte do candidato Fernando Villavicencio, assassinado durante a campanha.
O caso de González ocorre em um momento de forte polarização no país. O governo ainda não explicou publicamente os fundamentos da detenção.
O que vem agora
A polícia não informou onde González está detida nem os próximos passos do processo. O desdobramento depende da Justiça equatoriana e do andamento da investigação sobre o financiamento da campanha.
Encontrou um erro ou tem uma sugestão de pauta? Fale com a redação.




