Milei descarta ação militar e quer recuperar as Malvinas por via diplomática
Argentino responde à sinalização de Trump sobre rever a posição dos EUA e ameaça levar o Reino Unido a tribunal do mar em duas semanas.

Resumo
- Milei disse ao jornal britânico The Telegraph que não vê saída militar para as Malvinas e quer a solução por meios diplomáticos.
- A fala vem depois de Trump sinalizar que os EUA, hoje neutros na disputa, podem rever sua posição sobre a administração das ilhas.
- Buenos Aires ameaça recorrer ao Tribunal Internacional do Direito do Mar se o Reino Unido não parar a exploração de petróleo na região.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que o país não pretende usar a força para retomar as Ilhas Malvinas, território administrado pelo Reino Unido e reivindicado por Buenos Aires. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, ele disse que não acredita em “soluções militares” e que a Argentina vai recuperar o arquipélago por meios diplomáticos. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (22).
A fala de Trump que reacendeu o tema
Milei falou depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que Washington pode rever a posição que mantém sobre a administração das ilhas. Hoje, os EUA são neutros na disputa. Segundo o que foi divulgado, Trump levantou dúvidas sobre a capacidade do Reino Unido de defender o território de problemas ligados a imigração e energia. Antes disso, ele já havia dito que não apoiaria os britânicos numa eventual nova invasão, relacionando a postura à falta de apoio do Reino Unido na guerra com o Irã.
A disputa pelo arquipélago, que a Argentina chama de Malvinas e os britânicos de Falklands, levou os dois países a um conflito armado em 1982. Desde então, o governo argentino sustenta que a soberania é sua, enquanto o Reino Unido mantém a administração das ilhas.
Ultimato sobre o petróleo
Em paralelo, o governo argentino endureceu o tom em relação à exploração de petróleo na região. O Executivo cobrou que os britânicos suspendam a atividade, sobretudo o projeto Sea Lion, e avisou que, se isso não acontecer, vai levar a questão ao Tribunal Internacional do Direito do Mar. Numa postagem, Milei deu o prazo de duas semanas para o fim do que chamou de exploração ilegal e acusou o Reino Unido de “saquear ilegalmente” os recursos argentinos.
A corte foi criada pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, é independente e julga disputas sobre como o tratado deve ser interpretado ou aplicado. De acordo com o comunicado oficial, o objetivo argentino é barrar a extração de hidrocarbonetos na Bacia das Malvinas do Norte, via Sea Lion, e evitar que sejam tomadas novas decisões sobre recursos naturais da plataforma continental do país.
Voos e sanções
O comunicado também acusa o Reino Unido de “ações ilegítimas” nas Malvinas e nos arquipélagos da Geórgia do Sul e das Sandwich do Sul, assim como nas águas do entorno. O Executivo argentino anunciou ainda que vai abrir “procedimentos sancionatórios” contra a operação de voos da empresa Thales UK Limited na rota indicada, feitos, segundo o governo, com aeronave registrada no Reino Unido e sem autorização das autoridades argentinas.
No texto, o governo afirma que a Argentina “não ficará de braços cruzados” e que seguirá defendendo seus direitos soberanos por vias diplomáticas, administrativas e jurídicas.
O que já havia acontecido
O assunto não é novo na agenda de Milei. Em setembro, o Reino Unido criticou uma declaração do presidente argentino sobre as ilhas, e, no fim do mês, noticiou-se que a Argentina avaliava abrir um processo judicial contra os britânicos por causa do projeto petrolífero. O novo elemento desta semana é a sinalização vinda de Washington.
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