Trump tira itens agrícolas e de embalagem da sobretaxa de 50% ao Canadá
Proclamação assinada nesta sexta muda a lista de produtos taxados e inclui válvulas e carpetes; vale a partir de 30 de outubro.

Resumo
- Trump tira da sobretaxa de 50% itens como compensado, papel, máquinas agrícolas e embalagens.
- Outros produtos, como válvulas e carpetes, passam a ser taxados.
- As mudanças começam a valer em 30 de outubro e as tarifas ao Canadá continuam.
A lista de produtos canadenses atingidos pelas sobretaxas de 50% dos Estados Unidos mudou. Donald Trump assinou na sexta-feira (23) uma proclamação que tira algumas mercadorias da cobrança, entre elas insumos do campo, e põe outras. O novo desenho vale a partir de 30 de outubro de 2026.
O documento, divulgado no site da Casa Branca, altera a Proclamação 11048, de 20 de julho, que criou as tarifas com fundamento na Lei Tarifária de 1930 (seção 338). A justificativa de Washington é que o Canadá discrimina o comércio americano por causa do seu sistema de tarifas para veículos.
Itens que saem
Deixam de ser taxados itens como compensado de madeira, alguns itens de papel, certas máquinas agrícolas, aparelhos de refrigeração e caixas e materiais para embalar e transportar mercadorias. Também são beneficiados insumos de que dependem fruticultores e outros produtores rurais.
A republicana Susan Collins, senadora pelo Maine, afirmou que a medida deve favorecer quem cultiva mirtilo, batata e maçã ou colhe algas no estado. Para ela, muitos agricultores locais trabalham com equipamentos e embalagens do Canadá que não têm equivalente no mercado americano, ou que custariam caro para substituir.
Itens que entram
Não se trata de um recuo geral. A mesma proclamação inclui na lista de mercadorias taxadas algumas válvulas, carpetes e resíduos. A revisão, portanto, reorganiza o que paga sobretaxa, e os produtos canadenses seguem sujeitos às tarifas.
Do acordo prometido à tarifa
A Casa Branca conta a trajetória no próprio texto. Em 18 de agosto, Trump pôs em pausa por três dias a entrada em vigor das cobranças, porque o Canadá teria se comprometido a eliminar a discriminação citada. De acordo com o documento, em 21 de agosto o governo canadense desistiu do compromisso, parou de negociar de boa-fé e manteve a prática. A pausa venceu à 0h01 de 22 de agosto, e as tarifas passaram a valer.
Em 8 de setembro, outra proclamação já havia alterado o alcance das taxas, a partir de informações e recomendações de integrantes do governo. Esta é a segunda mudança desde que as cobranças começaram. Segundo o texto, auxiliares do presidente concluíram que ajustar o escopo ainda compensa o prejuízo atribuído ao comércio dos EUA.
A decisão veio depois de pressão de empresários do setor produtivo e de políticos de estados na fronteira com o Canadá, onde a sobretaxa encareceu insumos importados. Sem acordo entre os dois países, os americanos aplicaram em agosto tarifas extras de 50% a cerca de US$ 20 bilhões em compras do Canadá, e Ottawa respondeu taxando produtos dos Estados Unidos.
O que vem agora
As novas listas começam a valer em 30 de outubro. Washington e Ottawa não fecharam um acordo comercial amplo. Para produtores e importadores americanos, a mudança alivia o custo de certos insumos; para exportadores canadenses, o número de itens atingidos diminui em parte, mas a disputa continua aberta.
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